Membros da CIA compram apólices para se defender de possíveis processos

Oficiais antiterroristas da CIA assinaram apólices privadas de seguro que pagarão seus julgamentos civis e despesas legais caso sejam acusados ou processados por crimes, informou nesta segunda-feira o site do Washington Post.Essa medida demonstra o temor da CIA de que seus agentes fiquem vulneráveis a acusações de abusos, tortura e violação aos direitos humanos, incluindo delitos relacionados às investigações sobre os ataques de 11 de setembro de 2001. Segundo oficiais da CIA ouvidos pelo Washington Post, a agência encorajou muitos de seus oficiais a comprarem as apólices de seguro.Tal temor emergiu após a controversa pública sobre as prisões secretas da CIA em que os prisioneiros eram submetidos a cruéis métodos de tortura, incluindo a exposição do detento a temperaturas extremas e afogamentos. Desse modo, alguns oficiais da agência acreditam ter violado leis internacionais ou estatutos criminais norte-americanos.Além disso, segundo o site, vários oficiais reformados da CIA acreditam que o crescente número de apólices compradas pelos membros da agência demonstra a incerteza que eles têm da legalidade de seu trabalho.Os detalhes de como eram feitos os interrogatórios podem vir á tona se alguns dos aproximadamente 100 detentos que foram mantidos nas prisões secretas sejam levados à Justiça.Bush anunciou na semana passada que seu governo transferiu os últimos 14 detentos que estavam nessas prisões para a prisão de Guantánamo, em Cuba.GovernoAinda segundo o Washington Post, Bush enviou ao Congresso uma proposta com as regras que sua administração quer para que os suspeitos sejam julgados. Como parte dos esforços do governo em proteger os agentes de inteligência, o presidente pediu ao congresso a aprovação de uma lei que isenta membros da CIA e outros oficiais federais de serem levados a julgamento por humilhar suspeitos de terrorismo em custódia dos Estados Unidos. Tal proposta, porém, foi rejeitada pelos senadores democratas e por um grupo de republicanos dissidentes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.