Membros da ONU trocam farpas sobre Ucrânia

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniu em uma sessão de emergência nesta sexta-feira depois que governo de Kiev iniciou uma operação militar na cidade de Slovyansk, onde ativistas pró-Moscou haviam tomado prédios oficiais.

AE, Agência Estado

02 Maio 2014 | 15h21

Os primeiros relatos indicaram que dois helicópteros foram derrubados durante a operação ucraniana. Mas o embaixador britânico na ONU, Mark Lyall Grant, disse que três helicópteros tinham sido atingidos.

"Alegações da Rússia de que estes ativistas são pacíficos não são críveis", disse Grant. "Manifestantes pacíficos não derrubam três helicópteros". O diplomata afirmou que o uso de mísseis pelos insurgentes comprovava o apoio da Rússia.

Mas o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, culpou "terroristas" do grupo extremista Setor Direito pelos ataques contra os manifestantes pró-Moscou. Ele alertou que a "desventura criminal do governo" levará a uma "catástrofe", se não for suspensa.

Churkin também afirmou que estrangeiros que falavam inglês foram ouvidos em interceptações de áudio durante a operação militar de sexta-feira. Insistimos que nenhuma interferência externa deve acontecer, disse ele. O Ocidente "deve parar de brincar com o destino do povo ucraniano".

Churkin pediu que os agentes de Kiev "não cometam um erro fatal e olhem sobriamente para todas as consequências de suas ações".

Por outro lado, o embaixador francês na ONU, Gérard Araud, elogiou o governo ucraniano por ter sido contido. Ele chamou a alegação de Churkin sobre o envolvimento de estrangeiros na operação de "cômica". Araud acusou a Rússia de deslocar grupos de bandidos para a Ucrânia.

A embaixadora dos EUA, Samantha Power, criticou a Rússia por apresentar supostas informações incorretas sobre a operação ucraniana em grande escala. Ela disse que isso era um ataque direcionado que qualquer país poderia realizar para recuperar o controle sobre seu território.

Ela afirmou que o pedido russo por uma reunião do Conselho de Segurança era "cínico e hipócrita", porque a Rússia era a causa da instabilidade. Segundo Power, 32 edifícios em 17 cidades ucranianas foram ocupados. Dentre eles, até 21 prédios foram tomados por grupos armados.

Churkin tem culpado repetidamente grupos armados de extrema-direita pela ocupação dos prédios do governo durante a derrubada do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovychi, em fevereiro.

Sob o acordo obtido em 17 abril em Genebra, os separatistas pró-Rússia deveriam desocupar os prédios e a Ucrânia deveria cancelar todas as ações militares no leste e sudeste do país. Fonte: Dow Jones Newswires.

Mais conteúdo sobre:
Rússia Ucrânia ONU

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.