Membros da oposição deixam o parlamento paquistanês

Depois de uma semana de protestos contra o governo paquistanês, parlamentares da oposição do país renunciaram suas vagas no parlamento, nesta sexta-feira, para pressionar o primeiro-ministro Nawaz Sharif a deixar seu cargo, por conta de acusações de fraude nas eleições do ano passado. O movimento é liderado pelo ex-jogador de críquete Imran Khan, do partido Tehrik-e-Insaf (Movimento paquistanês pela Justiça), o terceiro maior do Legislativo.

Estadão Conteúdo

22 de agosto de 2014 | 11h57

"Nós renunciamos porque acreditamos que as eleições não foram transparentes", afirmou Arif Alvi, um dos opositores. Ele disse ainda que entregou as renúncias ao secretário da Assembleia Nacional em Islamabad, já que o presidente não estava presente no momento. De acordo com a legislação local, o presidente só aceita as renúncias depois de garantir que os parlamentares em questão não saiam sob pressão. O partido de Khan conseguiu 34 dos 342 assentos da assembleia nas eleições do ano passado, que também levaram Sharif ao poder.

Apoiado pelo parlamentar religioso Tahir-ul-Qadri, Khan liderou protestos ao longo da última semana pedindo a renúncia de Sharif, com milhares de seus partidários nas ruas do centro de Islamabad. Eles acusam o primeiro-ministro de ter fraudado as eleições de 2013, que marcaram a primeira transição democrática da história do Paquistão.

Khan e Qadri pedem por reformas eleitorais e a nomeação de um governo interino, para que seja realizada uma nova eleição. O líder da Liga Muçulmana do Paquistão, o partido da situação, afirmou que está disposto a discutir com a oposição, mas descarta a possibilidade de renúncia do primeiro-ministro. Para Sadiqul Farooq, não há ameaça ao governo, uma vez que este conta com o apoio de uma maioria na assembleia de 190 parlamentares.

Nos últimos dias, Khan havia anunciado uma série de ultimatos para Sharif renunciar. Na quinta-feira, o ex-jogador de críquete iniciou negociações com o governo, mas em seguida recuou, dizendo que as autoridades estavam planejando uma ofensiva contra os protestos. O governo nega que tenha esse tipo de plano e afirma que pretende resolver a situação através do diálogo. Fonte: Associated Press.

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