EFE/ Yolanda Salazar
EFE/ Yolanda Salazar

Membros da Unasul devem discutir reforma da entidade em setembro

Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, se reúne com chanceler boliviano para discutir formas de revitalizar organismo

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2018 | 19h52

BRASÍLIA - Os países-membros da Unasul deverão se reunir no mês que vem, em Montevidéu, para discutir formas de tirar a entidade de sua paralisia e revitalizá-la. Foi o que informou nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, durante visita oficial à Bolívia, que atualmente preside o organismo. “O Brasil se empenha para a manutenção desse sistema de integração”, afirmou ele, ao lado de seu homólogo boliviano, Fernando Huanacuni.

A Unasul tem como membros: Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador, Peru, Chile, Guiana, Suriname e Venezuela.

A Colômbia saiu do grupo no início deste mês, agravando a crise em que a organização mergulhou desde  janeiro de 2017, quando terminou o mandato do ex-presidente colombiano Ernesto Samper como secretário-geral e o candidato único a sua sucessão, o argentino José Octavio Bordón, foi vetado pela Venezuela e outros países de linha “bolivariana”.

O Brasil tem sua participação suspensa desde abril de 2017, ao lado de Argentina, Chile, Paraguai, Peru. A Colômbia também estava nesse grupo antes de decidir se desligar.

Aloysio comentou que a Unasul é o “terreno adequado” para os países-membros tratarem de diversos temas, como saúde, integração física, combate a crimes transnacionais e segurança na fronteira. “Procuramos dialogar de modo a superar os impasses políticos que estão travando seu funcionamento, de modo a manter sua organização, finalizá-la, dirigi-la a temas mais pragmáticos”, disse. “Para isso, é preciso afastar as divergências ideológicas, que têm outros terrenos para serem expressadas.”

Além de concentrar-se em temas de interesse mútuo e afastar sua natureza ideológica, Aloysio disse que é necessário reformar a estrutura administrativa da Unasul. Hoje ela tem um orçamento da ordem de US$ 10 milhões, dos quais 40% são custeados pelo Brasil. A sede, em Quito, é um prédio que impressiona pelo tamanho.

“Outros chanceleres compartilham desse ponto de vista”, disse Aloysio. Ele acrescentou contar muito com a reunião convocada para setembro, em Montevidéu, “para que possamos dar um novo começo a essa organização.” O encontro foi articulado por Huanacuni depois da saída da Colômbia.

No encontro, Aloysio defendeu que outras organizações regionais, como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que em breve será também presidida pela Bolívia, têm uma agenda de trabalho muito ampla e também precisam de mais foco para obter resultados.

Depois de ressaltar que Brasil e Bolívia vivem provavelmente o melhor momento de seu relacionamento, Huanacuni contou que, na reunião, foi discutido o ingresso da Bolívia como membro pleno do Mercosul. Para tanto, falta o sinal verde do Senado brasileiro.

“O Mercosul deve acolher a Bolívia e o senhor pode contar com o empenho do governo brasileiro”, afirmou Aloysio em resposta. Ele reconheceu que há demora no Legislativo brasileiro em analisar a matéria e disse esperar obter a aprovação ainda este ano.

Na reunião, os ministros discutiram em detalhe a estrutura na fronteira para combate a crimes transnacionais, uma agenda que tem ganhado prioridade no diálogo regional brasileiro. A maior fronteira do Brasil é com a Bolívia. Huanacuni disse que seu governo vai reabrir um posto e iniciar o controle. 

 

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