Membros do Conselho de Segurança se culpam por impasse sobre Síria

Os membros do Conselho de Segurança da ONU se culparam nesta quarta-feira pela crescente violência na Síria, com o Ocidente prometendo buscar um fim para o conflito fora do organismo internacional e a Rússia advertindo para "possíveis consequências catastróficas" neste caso.

MICHELLE NICHOLS, Reuters

25 de julho de 2012 | 21h22

A Rússia, aliada da Síria, e a China bloquearam repetidamente as tentativas do Conselho de Segurança de aumentar a pressão sobre o presidente sírio, Bashar al-Assad, para pôr fim à violência que surgiu em meio à ofensiva do governo contra manifestantes pró-democracia.

"O povo sírio pagará o preço deste fracasso (em atuar)", disse o embaixador alemão na Organização das Nações Unidas, Peter Wittig, em debate no Conselho de Segurança sobre o Oriente Médio.

Com Rússia e China contrários à posição de outros membros permanentes, como Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, o Conselho de Segurança, formado por 15 nações, está paralisado no tema sírio. Os norte-americanos disseram que buscarão maneiras de enfrentar a crise na Síria fora do organismo mundial.

"Essas políticas foram seguidas por Washington e várias capitais desde o início da crise na Síria e isso a agravou", disse o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, durante o debate.

Churkin advertiu que Washington deverá "enfrentar a responsabilidade de possíveis consequências catastróficas de tais passos."

"Uma situação em que a oposição, da qual uma parte importante não quer ouvir falar em diálogo, recebe a notícia de que terá mais ajuda contribui e leva a uma escalada do confronto", acrescentou.

Os Estados Unidos afirmaram que tentarão alternativas, como o grupo de países aliados "Amigos da Síria", para encontrar maneiras de pressionar Assad, depois do fracasso do Conselho de Segurança em acordar consequências para as violações sírias ao plano de paz mediado pelo enviado especial Kofi Annan.

"Já que esse Conselho fracassou em assumir suas responsabilidades, os Estados Unidos continuarão trabalhando com os 'Amigos da Síria'", disse o vice-embaixador norte-americano na ONU, Jeffrey DeLaurentis.

Ele afirmou que Washington trabalhará para aumentar a pressão sobre o governo sírio, apoiar a oposição, organizar ajuda humanitária e ajudar a preparar uma transição democrática liderada pelos sírios.

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