AP Photo|Khalid Mohammed
AP Photo|Khalid Mohammed

Membros do EI mudam visual para fugir de Mossul

Jihadistas apararam a barba e passaram a vestir roupas diferentes, dizem moradores 

O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2016 | 20h10

MOSSUL - Diante do avanço das forças iraquianas e curdas, os combatentes do Estado Islâmico (EI) em Mossul mudam sua aparência, deixam a barba aparada e vestem roupas ocidentalizadas na tentativa de passar despercebidos.

“Vi integrantes do Daesh (acrônimo do EI em árabe) e seu aspecto mudou completamente”, contou um morador de Mossul. “Fizeram a barba e mudaram as roupas para se misturar entre a população”, completou Abu Saif, ex-empresário. A ofensiva em Mossul já dura dez dias.

Nesta quarta-feira, unidades de elite iraquianas estavam a cinco quilômetros dos bairros da zona leste de Mossul, segunda maior cidade do Iraque, com 1,5 milhão de habitantes. Nas outras frentes, as tropas estão mais afastadas, em particular no sul.

Para Saif, os jihadistas mudam de aspecto “porque têm medo dos franco-atiradores ou porque se preparam para abandonar a cidade”.

Outro morador disse que não observou nos hotéis de Mossul os comerciantes sírios que faziam vários negócios na cidade com a anuência do EI.

Muitos extremistas abandonaram a zona leste da cidade para retornar à margem oeste do Rio Tigre, onde o EI tem um reduto, disseram moradores e fontes americanas.

Os habitantes de Mossul têm acesso limitado à televisão e internet, mas escutam com clareza o som dos combates nas zonas norte e leste da cidade. Eles relatam que os aviões da coalizão internacional liderada pelos EUA sobrevoavam a cidade hoje em altitude menor do que a de dias anteriores.

A ofensiva ocorre de acordo com o planejado, afirmou na terça-feira o ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drian, anfitrião de uma reunião de ministros de 13 países da coalizão. “O Daesh não caiu, mas o Daesh vacila”, declarou Le Drian.

Apesar do desequilíbrio de forças no campo de batalha – entre 3 mil e 5 mil combatentes do EI entrincheirados em Mossul, dez vezes menos do que o número de soldados mobilizados pelo governo e seus aliados –, o avanço iraquiano é feito de forma prudente e lenta, em consequência das táticas de guerrilha dos jihadistas.

“Há uma semana o EI utiliza uma quantidade extraordinária de armas de tiro indiretas (canhões, foguetes, etc) e de carros-bomba”, afirmou na terça-feira o general americano Stephen Townsend, principal comandante militar da coalizão. 

Os homens-bomba refinaram a técnica dos atentados. Eles posicionam os carros-bomba atrás de muros ou dentro de casas, à espera da passagem das tropas para provocar uma surpresa, explicou o general.

Vizinha. Os países ocidentais envolvidos na ofensiva contra os extremistas do EI estão satisfeitos diante do início promissor da operação e já debatem como lançar a reconquista de Raqqa, o principal reduto do grupo jihadista na Síria.

“Esperamos uma operação similar nas próximas semanas rumo a Raqqa”, afirmou o ministro da Defesa britânico, Michael Fallon, ontem. Na terça-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Ashton Carter, disse que os preparativos para uma operação haviam começado. / AFP

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