Membros do governo líbio renunciam e aumentam pressão sobre Kadafi

Ministro da Justiça e embaixador na Liga Árabe deixam o cargo; ditador perde apoio tribal

estadão.com.br,

21 de fevereiro de 2011 | 12h30

TRÍPOLI - O ministro de Justiça da Líbia, Mustafa Mohamed Abud al-Jeleil, o embaixador do país na Liga Árabe, Abdel Moneim al-Honi, e representantes líbios na China e na Índia deixaram seus cargos nesta segunda-feira, 21. Eles renunciaram em protesto à violenta repressão ordenada pelo ditador Muamar Kadafi contra manifestantes pró-democracia. De acordo com a ONG Human Rights Watch, ao menos 233 pessoas morreram desde o início dos protestos

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Em outro golpe para Kadafi, representantes da tribo Warfla, a maior do país, manifestaram apoio aos protestos contra o governo. O apoio da maioria das tribos foi crucial para Kadafi manter-se no poder desde 1969. Um grupo de líderes religiosos também emitiu uma fatwa (decreto religioso) conclamando os fiéis a derrubarem o regime.

"Eles demonstraram uma impunidade arrogante. Continuam, e aumentam, seus crimes sangrentos contra a humanidade. Demonstraram total infidelidade aos ensinamentos de Deus e seu amado profeta (que a paz esteja com ele)", diz o grupo, denominado Rede dos Ulemás Livres da Líbia.

Após os ativistas tomarem o controle de duas cidades no leste do país - Bayda e Benghazi - os protestos chegaram à capital, Trípoli, na noite de ontem. A praça dos Mártires foi palco de enfrentamentos entre os dissidentes e forças de segurança. Em Trípoli, a sede central do governo líbio e o prédio que abriga o Ministério da Justiça foram incendiados.

Risco de guerra civil

Um dos filhos de Kadafi  advertiu em um pronunciamento transmitido pela TV que o país poderá enfrentar uma guerra civil. Os comentários de Sayf al-Islam al-Kadafi foram feitos após os protestos contra o governo, antes concentrados no leste do país, terem chegado à capital.

Apesar de criticar os manifestantes, o filho do líder líbio prometeu "reformas políticas significativas" e afirmou que a Líbia "não é o Egito ou a Tunísia", em referência aos dois países vizinhos que tiveram seus governos derrubados por protestos populares desde janeiro.

Sayf al-Kadafi admitiu que a polícia e o Exército cometeram "erros" na repressão aos protestos, mas disse que o número total de mortes é muito menor do que o que tem sido divulgado. Ele disse ainda que grupos de oposição e estrangeiros estavam tentando transformar a Líbia em um grupo de pequenos Estados.

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Com AP, Reuters e BBC Brasil

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