Membros do Hezbollah se unem às forças de Assad contra reduto rebelde

Militantes do grupo xiita libanês Hezbollah uniram-se ontem pela primeira vez às tropas sírias em um ataque contra rebeldes na cidade de Qusair, na Província de Homs. A milícia radical do Líbano apoia o presidente Bashar Assad e participa de operações contra a insurgência na guerra civil que já dura mais de dois anos.

AMÃ, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2013 | 02h05

Segundo ativistas da oposição, foram os combates mais violentos desde o início do conflito. O Hezbollah, apoiado pelo Irã, recebe armas do regime sírio. Falando de Qusair, perto da fronteira com o Vale do Bekaa, no Líbano, o ativista Hadi Abdallah disse que aviões de guerra sírios bombardearam a cidade pela manhã e até 50 granadas de morteiro estavam sendo lançadas por minuto contra a cidade. Segundo ele, pelo menos 32 pessoas haviam morrido.

"O Exército está atacando Qusair com tanques e artilharia do norte e do leste enquanto o Hezbollah faz disparos de granadas de morteiro e foguetes do sul e do oeste", disse.

A televisão síria informou que tropas "liderando uma operação contra terroristas em Qusair" tinham alcançado o centro da cidade. Rebeldes entraram em choque com unidades mecanizadas do Exército sírio e guerrilheiros do Hezbollah em nove pontos dentro e em torno de Qusair, a 10 quilômetros da fronteira, segundo ativistas.

A região é indispensável para Assad assegurar para o Hezbollah uma rota no Vale de Bekaa para áreas próximas da costa mediterrânea da Síria. Fontes no Líbano disseram que granadas de morteiro disparadas pelos rebeldes haviam atingido imediações da cidade de Hermel, um baluarte do Hezbollah, mas não havia registro de baixas.

"Nossas forças heroicas estão avançando para Qusair e perseguindo os terroristas remanescentes. Elas hastearam a bandeira síria no edifício da prefeitura. Nas próximas horas nós lhes daremos boas notícias", anunciou a televisão.

Diplomacia. Assad ironizou a ideia de que uma conferência de paz no próximo mês em Genebra, patrocinada por Estados Unidos e Rússia, poria fim aos combates que estão aprofundando as divisões entre xiitas e sunitas por todo o Oriente Médio.

"Eles acham que uma conferência política conterá os terroristas dentro do país. Isso é irreal", disse ele ao jornal argentino Clarín, referindo-se sobretudo aos grupos sunitas que o tentam depor.

A oposição síria decidirá sobre a proposta de conferência de paz numa reunião que deve começar em Istambul na quinta-feira, durante a qual também será nomeada sua nova direção.

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse ontem que seu país está "se preparando para todos os cenários" na Síria e reafirmou a perspectiva de novos ataques israelenses ao país vizinho para impedir que o Hezbollah e outros rivais de Israel se apoderem de armas avançadas. "Agiremos também para garantir o interesse de segurança futuro dos cidadãos israelenses", disse Netanyahu. / REUTERS

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