Memorial de acidente aéreo da Polônia atrai 100 mil

Aproximadamente 100 mil poloneses compareceram à praça Pilsudski, em Varsóvia, para participar de uma cerimônia em memória das 96 pessoas mortas em um acidente aéreo ocorrido há uma semana. A multidão agitava bandeiras polonesas decoradas com faixas pretas, simbolizando luto, em frente a um grande palco branco, com uma cruz no centro, com fotos das vítimas do acidente ao fundo - entre elas a do presidente polonês Lech Kaczynski.

AE-AP, Agência Estado

17 de abril de 2010 | 12h13

Os nomes das vítimas foram lidos em voz alta, começando pelo presidente e por sua esposa, Maria, enquanto Marta - filha única do casal - e Jaroslaw Kaczynski, irmão gêmeo de Lech e ex-primeiro ministro da Polônia, ouviam. Também compareceram à cerimônia o ex-presidente Lech Walesa, o primeiro-ministro, Donald Tusk, e o presidente interino, Bronislaw Komorowski.

"Nosso mundo desmoronou pela segunda vez no mesmo lugar", disse Komorowski sobre o acidente aéreo, ocorrido perto da floresta Katyn, na Rússia, local onde também ocorreu um massacre de oficiais poloneses durante a Segunda Guerra Mundial. Tusk disse que o acidente foi um evento calamitoso e o classificou como "a maior tragédia na Polônia desde a guerra".

O memorial é uma das cerimônias que serão realizadas entre sábado e domingo e será seguido por uma missa na catedral de São João às 18h em horário local (13h em horário de Brasília), em Varsóvia.

No domingo, ocorrerá o funeral do presidente e de sua esposa. Alguns líderes mundiais que pretendiam participar do evento cancelaram os planos, citando a nuvem de poeira vulcânica que paira sobre a Europa e provocou a interrupção das operações em diversos aeroportos.

Até o momento, as delegações do Egito, da Macedônia, da Índia, do Japão, da Coreia do Sul, do México, da Nova Zelândia e do Paquistão cancelaram os planos para comparecer ao funeral, de acordo com o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Piotr Paszkowski. O rei da Suécia, Carlos XVI Gustavo, e a presidente da Finlândia, Tarja Halonen, também cancelaram a viagem.

A Polônia ainda espera a visita do presidente dos EUA, Barack Obama, e do presidente da Rússia, Dmitry Medvedev.

O gabinete do presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que embora os aeroportos franceses estejam fechados até segunda-feira, ele pretende viajar a Cracóvia no domingo. O presidente da República Checa, Vaclav Klaus, disse que viajará à Polônia de trem e carro, enquanto o presidente da Eslováquia, Ivan Gasparovic, e o presidente da Eslovênia, Danilo Turk, divulgaram que iriam de carro.

Todos os aeroportos na Polônia permanecem fechados neste sábado para voos que ultrapassem uma altura de 6 mil metros por conta da nuvem de cinzas vulcânicas, inclusive em Cracóvia e em Balice, cidades que devem receber a maior parte das autoridades no domingo, segundo Grzegorz Hlebowicz, porta-voz das autoridades do setor aéreo da Polônia.

O primeiro-ministro da Coreia do Sul, Chung Un-chan, cancelou a viagem e o cardeal Angelo Sodano, reitor do Sacro Colégio Pontifício, não conseguiu embarcar num avião de Roma até a Polônia para realizar a missa em memória dos mortos.

O funeral de domingo deve começar às 14h em horário local (9h no horário de Brasília), começando com uma missa na Basílica de Santa Maria de Cracóvia. Os corpos do presidente e da primeira-dama serão então transportados pela cidade antiga até a catedral de Wawel, onde serão enterrados.

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