Menem chega à sua cidade natal

O ex-presidente Carlos Menem, candidato às eleições presidenciais, mas que pode renunciar à disputa, desembarcou hoje em sua cidade natal, La Rioja. Ele estava acompanhado por seu médico pessoal, Alejandro Tfeli e alguns assessores mais íntimos. Espera-se que ele faça o anúncio oficial de sua desistência de concorrer ao pleito no domingo próximo. Segundo informações da imprensa argentina, em sua mensagem, Menem denunciaria que o presidente Eduardo Duhalde (que apoia seu adversário, Néstor Kirchner) quer instalar no país "uma contradição inaceitável entre o menemismo e o anti-menemismo".Duhalde reafirma apoio a KirchnerO presidente argentino Eduardo Duhalde afirmou que seu candidato Néstor Kirchner assumirá o governo em 25 de maio, e com apoio. "Não posso fazer conclusões baseadas em hipóteses", disse Duhalde, em relação à falta de confirmação oficial do candidato adversário, o ex-presidente Carlos Menem, sobre sua eventual renúncia à disputa eleitoral. Mas o presidente enfatizou que "o dia 25 de maio, quando Néstor Kirchner assumir como presidente, será o presidente que assume com o maior apoio". Eduardo Duhalde considerou que assim "se produzirá a esperada renovação da política do país". Já Néstor Kirchner deverá dirigir uma mensagem aos argentinos, "qualquer que seja a decisão de Carlos Menem", informou hoje o chefe de sua campanha, Alberto Fernández. Ele disse que chegou a hora de "tomar o touro pelos chifres", referindo-se à atitude que Kirchner deve tomar, falando como virtual presidente, já que manteve uma campanha discreta e sem muitos recursos de marketing.Renúncia não afeta mercado, dizem analistasA renúncia de Carlos Menem, se confirmada, não deverá afetar o mercado, na opinião de analistas. A vitória de Néstor Kirchner já vinha sendo precificada pelos mercados desde o resultado do primeiro turno. Por isso, não deverá haver um impacto importante sobre a evolução dos principais ativos financeiros locais, conforme análise de operadores e consultores, que esperam a continuidade da volatilidade nos preços nas próximas semanas, até que o novo governo defina as primeiras medidas concretas que serão adotadas. Para a analista Sabrina Corujo, da consultoria Maxinver, o grau de governabilidade que assumiria o governo Kirchner não produziria maiores pressões sobre as ações e bônus. No entanto, ela destaca que, às "indecisões provocadas pela saída de Menem, somam-se vários fatores que geram incertezas sobre as instituições argentinas". "As idas e vindas da política local ampliam o grau de incerteza e, sempre que o mercado opera num cenário como este, a lógica evolução diária de ações e bônus é afetada".

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