Menem diz que seu governo foi o mais brilhante da história

Colocando a modéstia de lado, o ex-presidente Carlos Menem (1989-99) declarou no final da noite de ontem que os dez anos e meio nos quais governou a Argentina foram "o período mais brilhante da história do país". Segundo "El Turco", os cinco anos desde 1999, quando concluiu seu segundo mandato, foram de "total retrocesso" para a Argentina.Menem acusou o presidente Néstor Kirchner de clientelista, mas disse que não havia retornado à Argentina para fazer recriminações, já que sua mensagem era de "paz e amor". Segundo ele, é preciso modificar a situação de pobreza do país, pois "está em jogo o destino da pátria".Em uma tribuna, ao lado das fotos do general Juan Domingo Perón, fundador de seu partido, o Justicialista (Peronista) e de Eva Perón, Menem também declarou que a "grandeza" da Argentina também estará vinculada à entrada do país na Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).Os analistas políticos afirmaram que o discurso de Menem esteve direcionado a posicionar-se como um embrião de oposição ao presidente Kirchner, seu arquiinimigo. Os analistas também sustentaram que Menem tentará aglutinar os diversos partidos de centro-direita.CandidaturaNos últimos dias, Menem anunciou que será candidato às eleições presidenciais de 2007. O ex-presidente terá 77 anos nas próximas eleições. No entanto, disse que a idade não o incomoda, e que pretende viver como o faraó Ramsés, que - segundo Menem - teria falecido com 104 anos de idade.O discurso de "El Turco" ocorreu quatro horas depois da chegada de Menem à La Rioja, onde desembarcou no início da noite. Curvado, mais magro, com os cabelos intensamente tingidos de preto, Menem saudou uma multidão de admiradores.Com a volta ao país, Menem encerrou um exílio de um ano em Santiago do Chile. Na capital chilena, Menem refugiou-se da Justiça argentina, que requeria sua presença nos tribunais portenhos para prestar depoimento sobre sua omissão da existência de uma conta bancária na Suíça, com US$ 650 mil. Menem recusava-se a voltar ao país, atitude que levou a Justiça argentina a pedir sua captura internacional.FiançaMas, na semana passada, o juiz Norberto Oyarbide anunciou que se o ex-presidente pagasse uma fiança de US$ 1 milhão, a ordem de prisão seria suspensa.A filha de Menem, Zulemita, e um grupo de velhos amigos apresentaram uma série de bens imobiliários que serviram como garantia para a fiança. Na segunda-feira, Oyarbide suspendeu a ordem de prisão.O retorno de Menem foi repudiado em diversas pesquisas de opinião pública e por um amplo leque de lideranças políticas. O ex-vice-ministro da Economia, Orlando Ferreres, disse: "Menem causa amores ou ódios...mas nunca a indiferença".

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