EFE/Iván Alvarado
EFE/Iván Alvarado

Menem é convocado a depor sobre atentado a associação judaica

Ex-presidente argentino disse em declaração por escrito que tinha informações sobre o ataque à Amia e sobre a morte de seu filho

O Estado de S. Paulo

30 de março de 2016 | 21h45

BUENOS AIRES - O ex-presidente da Argentina Carlos Menem, que governou o país de 1989 a 1999, foi convocado nesta quarta-feira para depor como testemunha no caso do atentado de 1994 à Associação Mutual Judaica-Argentina (Amia), que deixou 85 mortos, informaram à agência EFE fontes oficiais.

A convocação é para a próxima semana e foi pedida pela Unidade Fiscal de Investigação (UFI) do atentado contra a Amia, explicou Marta Nercellas, advogada da Delegação de Associações Israelitas Argentinas (Daia), que é parte querelante no caso.


A decisão foi tomada após Menem apresentar uma declaração por escrito em 21 de março à Justiça na qual afirmava que seu filho Carlos Junior foi vítima de um atentado, anos depois de manter a hipótese de ter sido um acidente.

O filho de Menem morreu em 1995, após a queda do helicóptero no qual viajava juntamente com o piloto de automobilismo Silvio Oltra, em circunstâncias ainda não esclarecidas.

"Confirmo saber que meu filho morreu em um atentado criminoso", afirmou Menem no texto, no qual também disse saber "quem, como e por que o assassinaram", explicou a agência oficial Télam.

O ex-mandatário também disse que conseguiu essa informação quando era presidente e esclareceu que não revelará "os dados sobre os autores", por considerar que se trata de um segredo de Estado.

"Adotei a mesma conduta no caso dos julgamentos por encobrimento do atentado à Amia", acrescentou Menem, segundo informou a agência.

Diante dessas afirmações, a UFI especial do caso Amia quer que Menem forneça toda informação que puder ser útil à investigação sobre o ataque.

Um dia após Menem apresentar a declaração, um juiz pediu ao governo que livre o ex-presidente da obrigação de guardar segredo, em meio à investigação sobre a morte de seu filho.

Nercellas afirmou à agência EFE que "em princípio não há nenhuma vinculação entre a morte do filho de Menem e o atentado à Amia", mas disse que o ex-presidente se referiu a ambos os fatos em sua declaração.

A advogada explicou que o Poder Executivo levanta os segredos de Estado "por tema", por isso neste caso terá de pedir de novo ao governo que divulgue a declaração sobre o caso Amia, o que acredita que será aprovado.

Em setembro de 2015, Menem recusou depor no julgamento oral que envolve ele e outros 12 acusados pelo encobrimento do atentado. / EFE

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