Menem é o candidato preferido de Wall Street

O candidato à eleição presidencial argentina preferido pelosanalistas do mercado financeiro norte-americano é o ex-presidente Carlos Menem. Ele "é uma figura conhecida e acostumada a lidar com o FMI", disse Christian Strackle, analista de mercados emergentes da CreditSights. Para Strackle, a equipe econômica a ser escolhida por Menem se ele ganhar a eleição de 27 de abril deverá ser"respeitável". Em pesquisa de intenção de voto divulgada esta semana, Menem aparece em segundo lugar, com 16% das preferências, próximo do líder, Nestor Kirchner, com 17%; ambos pertencem ao Pertido Justicialista (peronista). "O mercado deverá subir se Menem conseguir chegar ao segundo turno", previu o economista-chefe da Lehman Brothers para América Latina, Joaquín Cottani. Strackle observou que "ainda não se pode descartar" a possibilidade de um bom desempenho eleitoral da deputada de esquerda Elisa Carrio, considerada a mais afastada dos interesses dos investidores estrangeiros. Para ele, uma vitória de Carrio traria uma ameaça à dinâmica atual da dívida argentina. "Não está precificado nos bônus argentinos o risco de um repúdio ao pagamento da dívida", acrescentou o analista. Os observadores também disseram que o ex-ministro da Economia Ricardo López Murphy seria o candidato ideal para Wall street, mas ele está em quinto lugar nas pesquisas, sete pontos porcentuais abaixo de Kirchner. "Um cenário com vitória de Menem ou de López Murphy provocaria compras de bônus argentinos, assim como uma vitória de Elisa Carrio provocaria uma forte queda", disse o economista Alberto Bernal, da IdeaGlobal. Quanto ao líder nas pesquisas, os analistas acreditam que um governo Kirchner seria muito semelhante à atual administração de Eduardo Duhalde. "Quem quer que vença, à parte a posição em relação aos mercados e à economia, vai enfrentar questões de governabilidade", disse Cottani. Essa questão também deverá afetar um eventual governo Menem. "Muita gente odeia Menem e ninguém quer um presidente que todo mundo odeia", afirmou Bernal, que destacou a preocupação quanto à capacidade de Menem de obter apoio no Congresso e mesmo dentro do partido peronista.

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