Menem era o preferido dos empresários da Argentina

Os principais homens de negócios da Argentina, reunidos ontem na Bolsa de Rosario, no foro de debates das grandes empresas, não conseguiram esconder a preocupação pela nova crise política que se abre no país com a quase certa desistência de Carlos Menem de concorrer ao segundo turno das eleições. Empresários de grupos como Techint, Pecom, Telecom, Molinos, Clarín, General Electric, Socma, entre outros começaram a preocupar-se com a situação quando ambos candidatos a vice-presidente, Carlos Romero (Menem) e Daniel Scioli (Kirchner) cancelaram suas participações nos painéis previstos. Pelo menos dois pontos básicos são destacados pelos empresários com a renúncia de Menem: primeiro, transmite um mal sinal aos credores e investidores internacionais, de que a debilidade institucional no país ainda é reinante, embora o próprio FMI acredite que a Argentina crescerá 4% neste ano, aumentando assim sua capacidade de pagamento da dívida; segundo, a Presidência de Néstor Kirchner começará debilitada e não poderia controlar um Congresso dividido e teria muitas dificuldades para aprovar qualquer lei, o que afeta negativamente o clima para os negócios. Nunca foi segredo a preferência dos empresários argentinos pelo candidato Carlos Menem. Com Néstor Kirchner, nenhuma associação empresarial forte do país teve qualquer reunião ou "bate-papo informal" antes das eleições. Passado o segundo turno, quando Kirchner disparou nas pesquisas, os empresários tentaram agendar um encontro com o candidato para "conhecer" melhor seu plano de governo. Porém, o governador de Santa Cruz não deixou por menos o desprezo sofrido anteriormente e não aceitou nenhuma reunião com os "grupos poderosos", como ele mesmo costuma definir os empresários de peso do país.

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