Menem pode candidatar-se em 2003 - última chance

Centenas de chaveirinhos com os dizeres ?Menem 2003? são o melhor sinal de que o ex-presidente Carlos Menem entrou de novo na arena política argentina. Distribuídos por um de seus devotados e ardentes escudeiros, Armando Gostanián - ex-diretor da Casa da Moeda que, no círculo íntimo menemista, é conhecido como ?Gordo Bolú? (Gordo babaca) - mostram que a ambição do homem que governou o país durante uma década (1989-99) não se extinguiu, mesmo depois de cinco meses de prisão domiciliar que terminaram nesta terça-feira. Menem foi liberado pela Corte Suprema de Justiça, lugar onde conta com dois aliados: um ex-sócio e um declarado amigo. A Corte argumentou que não existiam provas de que o ex?presidente havia sido o chefe de uma organização mafiosa que teria contrabandeado 6.575 toneladas de armas para a Croácia e o Equador entre 1991 e 1995. ?Menem não voltará ao poder. Mas tampouco irá desaparecer da política deste país, já que aqui os ex?presidentes sempre têm influência?, afirma o analista político Rosendo Fraga. Segundo ele, Menem poderia ficar com a presidência de seu partido, o Justicialista (Peronista), mas isso não quer dizer que conseguiria assumir a liderança, atualmente exercida no peronismo pelos governadores das províncias. ?Mas uma coisa é certa: Menem vai fazer o possível para ser candidato à presidência da República em 2003, já que ele sabe que, por causa de sua idade (71 anos), é sua última oportunidade?, diz Fraga. Uma parlamentar menemista que esteve nos últimos dias na chácara de Don Torcuato confessou ao Estado que ?El Jefe? (O chefe) envelheceu muito nestes meses de cativeiro. ?Ele está muito rabugento e com vontade de vingaça?, afirmou. ?Mas a volta à liberdade é como uma imensa injeção de energia.? O peronismo volta a se agitar com a presença de seu antigo líder. Menem controlou o partido enquanto esteve no poder. Mas após sua saída da presidência do país, em dezembro de 1999, seu poder se esvaiu. Hoje, de um total de cem deputados peronistas, controla menos de 20. Seus aliados já convocaram uma reunião do Conselho Nacional Peronista para tentar reverter a decisão do Congresso Peronista que decidiu removê-lo da presidência do partido. Irmão do ex-presidente, o senador Eduardo Menem afirmou que os confrontos entre os diversos setores do peronismo poderiam causar no partido ?um perigo de fratura?. Nesta quarta-feira, Menem começou o dia visitando o túmulo de seu filho, Carlos Menem Jr. Depois, foi visitar o ex?chefe do Exército, general Martín Balza, acusado de cumplicidade no contrabando de armas. Balza está na prisão militar de Campo de Mayo. Além disso, Menem recebeu a visita de um grupo de ex?assessores acusados de corrupção, entre eles a ex?secretária de Meio Ambiente Maria Julia Alsogaray. Nesta quinta-feira, ?El Turco?, como é conhecido popularmente, começará seu retorno ao cenário em um lugar onde possui público cativo: seu feudo político, a província natal de La Rioja. A estratégia de Menem é bem calculada, já que esse é um dos poucos lugares com aplausos garantidos. No resto do país, tem uma imagem negativa de 78% - a mais baixa popularidade do Partido Justicialista. De La Rioja, o septuagenário ?El Turco? passará para o Chile, terra de sua esposa, a ex?miss Universo Cecilia Bolocco, de 36 anos. Do outro lado da Cordilheira dos Andes, ?la? Bolocco é um ícone nacional, e Menem, uma figura que sempre causa interesse. O próximo destino será Miami, onde desfrutará a lua de mel que foi interrompida por sua prisão domiciliar, em junho último. A ex-esposa de Menem, a irascível Zulema Yoma, criticou a decisão da Corte Suprema de libertar seu ex?marido: ?Isso mostra que continua existindo o clientelismo de sempre?. Zulema chamou Menem de ?taleban?, por tê-a expulsado da residência oficial de Olivos em 1990.

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