Menem poderia asilar-se no Brasil

A prisão por tráfico de armas de Martín Balza, ex-chefe do Exército do ex-presidente da Argentina Carlos Menem, reacendeu as suspeitas nos corredores do Itamaraty de que Menem poderá pedir asilo político ao Brasil. Na semana passada, Alberto Kohan, uma das principais figuras de seu governo quando Menem ocupava a Casa Rosada, visitou o presidente Fernando Henrique Cardoso.Um encontro secreto que durou 40 minutos e não constava da agenda presidencial, cujo conteúdo não foi divulgado. Nem mesmo o Itamaraty foi informado sobre a visita. A assessoria do Palácio informou apenas que se tratava de uma visita de cortesia. Fontes do governo especulam, porém, que Menem ainda cultiva uma forte amizade com Fernando Henrique e espera poder contar com o colega, caso sua situação com a Justiça argentina fique mais complicada. Suspeito de ter autorizado a venda ilegal de armas à Croácia e ao Equador, ele aguarda convocação para prestar depoimento. Seus advogados conseguiram adiar o depoimento, que já deveria ter ocorrido. Especula-se que estão tentando ganhar tempo para garantir o asilo de Menem. A Justiça argentina chegou a negar um pedido de Menem para sair do país em uma viagem de lua-de-mel à Síria, país que não tem acordo de extradição com a Argentina.Por estar sendo investigado, o ex-presidente precisa de autorização judicial para viajar. Apesar de a linha política de Fernando Henrique ser mais parecida com a do presidente Fernando de la Rúa, o relacionamento pessoal com Menem era mais estreito. Os dois presidentes costumavam falar com freqüência por telefone e chegavam até a administrar as crises do Mercosul. Caso receba Menem, o Brasil vai aumentar o número de celebridades latino-americanas enroladas com a Justiça que procuram o País.Três paraguaios já estão no Brasil, os ex-presidentes Alfredo Stroessner e Raúl Cubas Grau, além do ex-general golpista Lino Oviedo. Este último aguarda extradição em uma cela de Brasília.

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