Menem se nega a responder a juiz

Pela segunda vez em menos de três semanas, o ex-presidente Carlos Menem foi convocado pelo juiz federal Jorge Urso para prestar depoimento sobre seu envolvimento no contrabando de armas à Croácia e ao Equador entre 1991 e 1995.O juiz Urso tinha uma lista de 500 perguntas para o ex-presidente, que desde o dia 7 de junho está em prisão domiciliar. No entanto, pela segunda vez, ?El Turco?, como é conhecido popularmente o ex?presidente, negou-se a responder às perguntas do juiz. O juiz Urso considera Menem o líder de uma organização mafiosa responsável pela venda ilegal de armas. Oficialmente, o destino de mais de 6,5 mil toneladas de armas era a Venezuela e o Panamá. No entanto, o equipamento foi enviado à Croácia e o Equador, países ? na época - sob embargo de armamento.Chegada de helicópteroMenem disse que sua detenção é ?uma injustiça? e afirmou que as provas apresentadas pela promotoria são insuficientes. O ex?presidente também negou as acusações de dois militares que afirmam que Menem, através de seu ex-cunhado Karim Yoma, teria pedido um suborno de US$ 120 milhões por uma venda de seis submarinos a Taiwan, que finalmente não ocorreu.Menem, acompanhado por sua esposa, a ex-miss Universo Cecilia Bolocco, chegou de helicóptero ao edifício dos Tribunais, em pleno centro de Buenos Aires.No solo, a recepção foi feita por militantes que cantavam a marcha ?Los Muchachos Peronistas?, hino do partido de Menem. Outro grupo, que pedia a continuidade da prisão de ?El Turco?, entoava canções com referências à falecida mãe do ex-presidente.Advogados de Menem são criticadosOs advogados de Menem, criticados ultimamente pela fraca defesa do ex? presidente, chegaram nesta terça-feira meia hora depois de seu cliente, o que causou a irritação do ex?presidente e de seu entourage, que não vislumbram uma melhoria na situação jurídica de ?El Jefe? (o chefe), como o chamam.A venda das armas foi autorizada por decretos presidenciais, que também levam a assinatura de vários ministros. A defesa de Menem, para tentar salvá-lo, mudou sua estratégia, e agora tenta mostrar a imagem de um presidente ingênuo que assinou os decretos sem tê-los lido.Simultaneamente, colocam a culpa da assinatura dos decretos nos escalões inferiores. ?Para Menem, estas vendas tratavam-se de envios à Venezuela e ao Panamá?, sustentou o advogado do ex?presidente, Mariano Cavagna Martínez.Não põe as mãos no fogoUm dos principais articuladores de Menem, o deputado César Arias, afirmou que ?El Jefe? é ?um prisioneiro político?. O ex?sindicalista Hermínio Iglesias também foi até os tribunais expressar solidariedade a Menem. No entanto, para surpresa de todos, esclareceu que não colocava ?as mãos no fogo? pelo caudilho preso. O juiz Urso ordernaria o processo de Menem nos próximos dias. De la Rúa descarta indultoO presidente Fernando De la Rúa descartou qualquer possibilidade de que seu antecessor no sillón de Rivadavia (como é chamada a cadeira presidencial) possa ser beneficiado com um indulto.O presidente disse que espera que o caso tenha uma solução rápida ?e que não fique sem explicações, porque seria prejudicial para nossas instituições?.Dulcito e ChechuDe forma geral, os analistas políticos consideram que Menem não aceitaria um hipotético indulto, já que isso implicaria a aceitação da culpa. Nesta terça-feira estava previsto um jantar de apoio a Menem.O evento seria presidido pela esposa de ?El Turco?, a ex?miss Universo. Bolocco, que também foi apresentadora da TV chilena, debutaria como porta-voz de seu marido.Além disso, essa noite possuía um significado especial para os dois: ?Dulcito? (como ela o chama) e ?Chechu? (como ele a chama) comemoravam o primeiro de mês de casados.

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