Kamran Jebreili/AP
Kamran Jebreili/AP

Menina paquistanesa ferida pelo Taleban é levada para a Grã-Bretanha

Malala Yousafzai ganhou relevância internacional há 3 anos, quando passou a divulgar em um blog o regime de terror imposto pelo grupo em sua região

estadão.com.br,

15 de outubro de 2012 | 08h38

ISLAMABAD - A garota paquistanesa

Malala Yousafzai, que foi baleada e ferida por militantes do Taleban por defender a educação feminina, foi transferida nesta segunda-feira, 15, para a Grã-Bretanha. Em novo hospital, ela dará continuidade aos tratamentos, segundo informou o serviço de comunicação do Exército do Paquistão (ISPR).

 

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Em comunicado, o ISPR disse que a decisão foi tomada com a família da militante, que tem 14 anos. Também segundo o ISPR, Malala está fora de perigo e se recupera de maneira estável. A tranferência aconteceu depois que a família real dos Emirados Árabes Unidos enviou um avião-ambulância a Islamabad para transportar Malala ao país.

 

A menina estava em um hospital militar na cidade de Rawalpindi, no sul de Islamabad, para onde foi transferida após a extração de uma bala hospedada no pescoço, perto da medula espinhal. Segundo os médicos, o ritmo de recuperação nos próximos dias será crucial para determinar suas chances de sobrevivência e de possíveis sequelas.

 

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O ataque

 

A ativista estava em um ônibus com outras alunas que voltavam da escola quando foi atacada na cidade de Mingora, Paquistão, na terça-feira. No ano passado, Malala foi nomeada para o Prêmio Internacional da Paz Infantil, por seu respeitado trabalho de promoção da escolaridade entre meninas - algo que o Taleban repudia. O grupo fundamentalista prometeu matá-la.

 

Malala ganhou relevância internacional há três anos, quando passou a divulgar em um blog o regime de terror imposto pelo Taleban em sua região natal no Vale de Swat, no extremo norte do Paquistão.

 

Essa ousadia, assim como a de sua família, que a encorajou a seguir frequentando a escola apesar da proibição dos fundamentalistas, lhe valeu duras ameaças do grupo. Apesar dos talebans terem sido expulsos de Swat em 2009, a ameaça continuou e terminou com o ataque de terça, quando a menina voltava da escola com duas amigas. "Dois homens pararam o veículo, perguntaram quem era Malala e dispararam contra ela e suas amigas", disse o policial de Swat, Wazir Badshá, que admitiu que ainda ninguém foi detido pela agressão.

 

Em um extenso comunicado enviado à imprensa local, o Taleban assumiu o ataque, afirmando que "Malala foi atacada por seu papel pioneiro na prédica do secularismo e da chamada ilustração moderada". O texto recorreu a passagens do Alcorão para justificar o ataque às meninas e disse que matar Malala era uma "obrigação sob a sharia (lei islâmica)".

Repercussão

No ano passado, Malala recebeu o Prêmio Nacional da Paz no país por sua defesa pela educação das meninas frente aos postulados dos fundamentalistas radicais. O atentado teve grande impacto no país. Muitas escolas da região fecharam as portas em forma protesto. O chefe do Exército do Paquistão, general Ashfaq Parvez Kayani, divulgou uma declaração condenando o ataque. "Os terroristas não entenderam que ao atacar Malala eles não atacaram apenas um indivíduo, mas um ícone de coragem e esperança", disse Kayani, que raramente faz pronunciamentos públicos, mesmo sobre assuntos militares.

Autoridades e ONGs de direitos humanos também condenaram o ataque e alertaram para os desdobramentos que ele pode causar. A representante dos EUA nas Nações Unidas, Susan Rice, se manifestou pelo Twitter. "O futuro do Paquistão pertence a Malala e aos valentes jovens como ela. A história não se lembrará dos covardes que tentaram matá-la".

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, disse que o ataque contra Malala não afetará a luta do país contra os militantes islâmicos e em favor da educação feminina. O governo também ofereceu uma recompensa do equivalente a cerca de R$ 200 mil reais por quem oferecer pistas sobre os agressores de Malala.

Já o diretor do Comitê Independente de Direitos Humanos do Paquistão, Zohra Yusuf, disse que "esse trágico ataque contra uma criança tão corajosa" envia uma mensagem assustadora para todos que lutam para as mulheres e meninas paquistanesas. O crime também foi criticado pela maioria dos partidos políticos paquistaneses, celebridades de TV e outros grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional.

Com agências de notícias

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