AFP PHOTO/TWITTER/Courtesy of Rahaf Mohammed al-Qunun
AFP PHOTO/TWITTER/Courtesy of Rahaf Mohammed al-Qunun

Menina saudita que fugiu dos pais ganha status de refugiada e pode ser abrigada pela Austrália

A jovem Rahaf Mohammed Alqunun ganhou o status de refugiada pela ONU após seu caso ganhar destaque nas redes sociais quando ela se trancou em um hotel do aeroporto de Bangcoc

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2019 | 16h47

BANGCOC - O governo da Austrália disse nesta quarta-feira, 9, que vai avaliar se abrigará a menina saudita que fugiu da família e se trancou em um hotel na Tailândia. Ela conseguiu o status de refugiada após se reunir com o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) nesta quarta, aumentando as chances de ganhar asilo.

Rahaf Mohammed Alqunun, de 18 anos, chegou em Bangcoc em um voo vindo do Kuwait no sábado 5 rumo à Austrália, onde ela possui o visto de turista. Mas após ser detida por autoridades tailandesas, ela se recusou a embarcar no voo de volta ao Kuwait e se trancou em um quarto de hotel no aeroporto.

Rahaf ganhou atenção mundial com publicações nas redes sociais em que ela diz temer por sua vida caso retornasse para casa. Ela esteve sob os cuidados da agência de refugiados da ONU enquanto sua situação era considerada.

O Departamento de Assuntos Domésticos da Austrália afirmou que vai “considerar esse encaminhamento da maneira habitual, como faz com outros pedidos da agência”.

Indicações de Canberra sugerem que a menina possa receber uma audiência compreensível. “Se ela for considerada refugiada, então isso nos dará muitas, muitas razões para dar um visto humanitário”, afirmou o ministro da Saúde australiano, Greg Hunt.

O episódio

O caso de Rahaf jogou luz sobre os direitos das mulheres na Arábia Saudita. Muitas sauditas que fogem de abuso de famílias tem buscado asilo no exterior e depois voltado para casa. Ativistas de direitos humanos dizem que muitos casos não são reportados e que a influência da internet no caso de Rahaf foi levantada por vários ativistas.

“A coisa única desse caso é que ela teve acesso às redes sociais e foi capaz de reportar a situação e trazer a atenção do mundo para o seu caso.”, afirmou Elaine Pearson, representante da Human Rights Watch na Austrália. “Eu acho que muitos casos assim nem são reportados.”

Um ponto similar foi levantado pelo porta-voz da agência de refugiados da ONU, Babar Baloch, que disse que o diferencial do episódio foi “a onda de todas as vozes solidárias surgidas juntas em prol dela.”

A polícia de imigração da Tailândia afirmou que o pai e irmão da garota chegaram juntos em Bangcoc na terça-feira, mas Rahaf se negou a encontrá-los. / AP

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