REUTERS/Erik De Castro
REUTERS/Erik De Castro

Menina sequestrada pelo Estado Islâmico reencontra família depois de três anos

Christina foi tirada dos pais pelos extremistas em 2014 e voltou para casa na última sexta-feira, 9

O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2017 | 19h29

IRAQUE - Christina Ezzo Abada, uma menina iraquiana cristã de seis anos, voltou para casa na última sexta-feira, 9, depois de três anos longe da família. A criança havia sido sequestrada pelo Estado Islâmico.

“O melhor dia da minha vida foi o dia em que Christina voltou”, disse sua mãe, Aida Nuh, no sábado, 10. 

Os círculos escuros aos redor de seus olhos são evidências das noites sem dormir desde agosto de 2014, quando os militantes tiraram Christina dela, algumas semanas depois de invadirem a cidade de Qaraqosh, 15 km ao sudeste de Mosul. “Ela passou três anos com os terroristas. Claro que ela esqueceu quem a mãe dela é, quem o pai dela é, que somos sua família, mas ela aprenderá de novo”, afirma a mãe. 

O Estado Islâmico sequestrou milhares de homens, mulheres e crianças de minorias iraquianas, especialmente yazidis. 

Cristãos que não puderam ou não conseguiram escapar na época tiveram de enfrentar um ultimato - pagar uma taxa de proteção, se converter ao islã ou morrer. Outros, como Christina, foram sequestrados. 

Famílias cristãs que ficaram em Qaraqosh foram forçadas a sair em 22 de agosto de 2014. Os militantes pegaram Christina de um miniônibus que levava os outros para a fronteira do território dominado pelo Estado Islâmico. Eles ameaçaram Aida, que resistiu desesperadamente.

Os esforços da  família para recuperar a menina com ajuda de amigos árabes foi recompensada na sexta-feira, quando eles receberam uma ligação dizendo que Christina havia sido encontrada em Hayy al-Tanak, um bairro pobre de Mosul. 

“Fomos a um lugar sujo em Hayy al-Tanak (...), e pegamos a criança”, diz o pai da menina, Khader Touma, que é cego. Ele usava óculos escuros e estava cercado pela família, agora completa com a volta de sua filha menor. 

As duas irmãs e os dois irmãos dela escaparam para o território curdo antes da chegada dos militantes. 

“Estou com a mamãe e o papai”, disse Christina, enquanto brincava com um brinquedo de plástico, em sua casa móvel, em um lugar para população deslocada em Ankawa, um subúrbio cristão na capital curda, Erbil, ao leste de Mosul. 

Os pais disseram que, agora, esperam emigrar para deixar todo sofrimento para trás. 

Enquanto isso, eles esperam um longo tempo em sua casa apertada, porque sua moradia antiga, em Qaraqosh, foi quase completamente destruída em um embate para desalojar os militantes do Estado Islâmico. / REUTERS 

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