Aaref WATAD / AFP
Aaref WATAD / AFP

Menina síria sem pernas que improvisava latas para caminhar ganha prótese

Maya Merhi, de 8 anos, herdou má-formação congênita do pai e caminhava praticamente rente ao chão com a ajuda de dispositivo feito por seu pais com latas de conserva e tubos de plástico; ela recebeu equipamento real de médico turco

Aaref Watad / France-Presse, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2018 | 10h31

SERJILLA, SÍRIA - A menina síria Maya Merhi, de oito anos e nascida sem pernas, tinha de se deslocar com uma prótese improvisada feita com latas de conserva pelo pai, mas agora pode caminhar, graças a pernas artificiais e a um tratamento recebido na Turquia.

Maya nasceu sem pernas devido a uma má-formação congênita herdada do pai. As fotos da pequena em um acampamento de deslocados na Síria deram a volta ao mundo em junho, em um contexto de conflito devastador nesse país.

Nas imagens, via-se a pequena avançando praticamente rente ao chão, com a ajuda de próteses feitas por seu pais com latas de conserva e tubos de plástico. Devido ao desgaste, as latas precisavam ser trocadas uma vez por semana, e o plástico, uma vez ao mês.

O efeito provocado pelas imagens fez o Crescente Vermelho turco levar Maya e seu pai para Istambul, onde um médico ortoprotésico que havia visto um vídeo nas redes sociais assumiu o custo das próteses.

Depois de cinco meses na Turquia para receber cuidados e aprender a usar as próteses, Maya Merhi voltou no sábado para o acampamento de Serjilla. Agora, anda pelos rochosos caminhos com tênis rosa, combinando com o casaco.

"Fiquei muito feliz quando a vi andando", disse seu pai, Mohamed Merhi, sentado em sua improvisada barraca de campanha.

"Toda família e nossos parentes estão felizes", acrescentou ele, com voz suave, ao lado da filha, que sorri timidamente.

O pai de Maya também ganhou próteses, mas reconhece que ainda é difícil usá-las.

Originários da região de Alepo, pai e filha tiveram de se deslocar para a província rebelde de Idlib quando os combates da guerra civil síria começaram a causar estragos cada vez mais perto da casa da família.

Sentada em sua barraca, sobre um colchão colocado diretamente no chão, a menina retira e volta a colocar suas pernas artificiais, mostrando uma estrutura de plástico decorada com a bandeira turca.

"No início, era difícil se acostumar. Ela caminhava sobre latas de conserva e, de repente, se viu no alto das novas próteses", conta seu tio Hussein Merhi, que os acompanhou na viagem à Turquia.

"Ela caía, como uma criança pequena quando aprende a andar", lembra.

Agora, às vezes com a ajuda de muletas, Maya pode brincar com as outras crianças.

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