Meninas afegãs voltam à escola depois de 3 anos

A notícia foi transmitida por TVs e rádios. Mulás fizeram o anúncio nas mesquitas. Professores bateram de porta em porta para avisar os pais pessoalmente. As escolas abriram suas portas paras as meninas de Mazar-e-Sharif mais de três anos depois que p Taleban baniu a educação feminina. O clima nas escolas era de euforia. Ponto para as meninas, muitas delas pela primeira vez numa escola formal, inquietas nos bancos de madeira do que restou da escola Fatima Balkhi, para alunas de todas as idades.Não há cadeiras, mesas, cadernos ou lápis. Mas as alunas deverão comparecer todos os dias - sem desculpas - explicou a professora de matemática, Sahira Kholmi. ?Estas escolas foram abertas e há poucos obstáculos em nosso caminho. Por isso, temos que aprender?, disse.Quando a milícia linha-dura do Taleban tomou o controle da cidade, em 1998, as mulheres foram retiradas da escola sob o argumento de que assim queria o Islã, e a escola Fatima Balkhi foi fechada. A idéia era de que a escola, de 80 anos, nunca seria reaberta. As lâmpadas foram retiradas dos tetos e as redes elétricas destruídas. Mesas, cadeiras e quadros negros foram quebrados e jogados escadaria abaixo. Portas foram arrancadas e janelas quebradas. Mas o aprendizado não desapareceu de Mazar-e-Sharif. Ele simplesmente se tornou clandestino. Sahira, como outras professoras da Fatima Balkhi, começou a dar aulas particulares em sua própria casa. Quando o Taleban descobriu manobra, ela foi pressionada. ?Não aceitei a ordem deles?, disse Sahira. ?Se eu fechasse minha casa para as alunas, elas não poderiam aprender?. Assim, ela continuou a lecionar e suas alunas diziam a todos que perguntassem que iam visitar um parente. Ela se certificava de que cada uma das meninas saísse sozinha de sua escola improvisada para que não chamassem atenção.Sunya Haslami, de 16 anos, disse que as aulas secretas a amedrontavam, mas ela tinha que continuar aprendendo. ?Agora não há nenhum problema. Nossa educação será muito boa, agora podemos estudar?, disse. Enquanto as meninas ficavam sentadas na sala gelada, cortada pelo vento que atravessa as janelas sem vidros, dois soldados das forças especiais dos Estados Unidos faziam a ronda.Um deles ajoelhou-se e, com a ajuda de um intérprete, perguntou a algumas das garotas seus nomes e idades, se elas conheciam seu alfabeto e se sabiam contar até 10. O outro tirava fotografias. Os soldados, que se negaram a dar seus nomes, tomavam notas sobre as condições de precariedade da escola e distribuíam blocos de notas. ?Esta é apenas um símbolo de que elas podem estudar?, um dos soldados disse aos professores antes de sair.As aulas começam oficialmente no domingo. Hoje o dia foi dedicado à matrícula das alunas e à comemoração do direito de estudar. Todas passarão por provas e aquelas que passarem poderão pular algumas séries. As outras receberão instrução básica. Zarmina Karimi, a assistente da diretora da escola, estava preocupada com a lacuna na educação das meninas. ?Estas pequenas meninas que não aprenderam nada podem ter que tipo de futuro??, perguntou. Mas as professoras estavam radiantes de otimismo, apesar do prédio destruído e da falta de qualquer tipo de suprimento. ?É um novo começo para nós?, disse Sahira.Leia o especial

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