AFP PHOTO / PIUS UTOMI EKPEI
AFP PHOTO / PIUS UTOMI EKPEI

Meninas de Chibok, sequestradas pelo Boko Haram, aparecem em novo vídeo

Dois depois do sequestro que mobilizou uma campanha internacional, grupo radical islâmico dá provas de que ao menos algumas das 219 garotas estão vivas

O Estado de S. Paulo

13 Abril 2016 | 17h19

Três mães de meninas sequestradas em Chibok, no norte da Nigéria, há dois anos disseram ter indenficado suas filhas em um vídeo divulgado pelo grupo radical islâmico Boko Haram. Essa é possivelmente a primeira informação sobre as meninas sequestradas pelos radicais desde um vídeo de maio de 2014. 

Cerca de 15 garotas que aparecem no vídeo, divulgado para autoridades locais na terça-feira, dizendo que elas são estudantes da Escola Secundária Governamental de Garotas em Chibok e pediram ao governo nigeriano que coopere com o Boko Haram para sua soltura.  Na gravação, as meninas dizem ainda que estão sendo bem tratadas, mas querem voltar para casa e para suas famílias. 

Militantes do Boko Haram sequestram 276 estudantes de Chibok no dia 14 de abril de 2014. Cinquenta e sete conseguiram escapar, mas 219 continuam desaparecidas, apesar de uma campanha global, #bringbackourgirls, envolvendo celebridades e a primeira-dama americana, Michelle Obama. Várias pistas falsas deram esperanças de que elas seriam encontradas, mas o paradeiro delas continua desconhecido. 

As mães Rifkatu Ayuba e Mary Ishaya disseram ter reconhecido suas filhas, Saratu e Hauwa, no vídeo, enquanto uma terceira mãe, Yana Galang, identificou cinco das garotas desaparecidas. Autoridades disseram que são necessárias mais identificações. 

"As garotas aparentavam estar muito bem", disse Yana em uma entrevista por telefone à Reuters após ver o vídeo exibido pelas autoridades em Maiduguri, capital do Estado de Borno, no norte nigeriano. 

As três mães foram convidadas para assistir ao vídeo pelo prefeito de Chibok, Bana Lawan, que confirmou que ele pagou as despesas de viagem das mães até Maiduguri, a capital do Estado. 

O sequestro das garotas acabou se tornando uma questão política na Nigéria com o governo e os militares criticados pela forma como lidaram com o caso e por falharem em encontrar as garotas.

"Elas são definitivamente nossas filhas. Tudo o que queremos é que o governo as traga de volta", disse Yana, acrescentando que todas as garotas estavam usando o hijab (tipo de véu muçulmano) no vídeo.   

Nenhum membro do Boko Haram aparece no vídeo e autoridades locais não estavam disponíveis para comentar os detalhes sobre como elas receberam o vídeo. "Apenas ouvimos uma voz masculina e vimos um dedo apontando para as meninas, uma após a outra", disse Yana. 

Ela afirma que as garotas falavam em hausa, uma língua muito comum na Nigéria, e Kibaku, uma língua local de Chibok. Segundo Yana, uma mãe, Rifkatu, ficou aliviada em ver sua filha depois de ouvir rumores de que o Boko Haram havia executado as meninas após o sequestro. "Ela estava muito feliz por vê-la no vídeo. Sua filha está viva", disse Yana. 

Cerca de 2 mil garotas e garotos já foram sequestrados pelo Boko Haram desde 2014, muitos deles já foram usados como escravos sexuais, combatentes e até mesmo suicidas em ataques terroristas, segundo a Anistia Internacional. 

Esta semana, um relatório da Unicef destacou que o uso de crianças como suicidas pelo Boko Haram aumentou 11 vezes na África Ocidental no último ano, com crianças de até 8 anos, especialmente meninas, se explodindo em escolas e mercados. Segundo o Unicef, houve 44 ataques com crianças bomba na África em 2015. Em 2014, foram quatro - a maioria em Camarões e Nigéria. 

A campanha do Boko Haram para estabelecer um califado islâmico na região já matou mais de 15 mil pessoas em seis anos, de acordo com o Exército americano. / REUTERS 

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