Claudio Cruz/AFP
Claudio Cruz/AFP

'Menino Covid', um boneco à imagem de Jesus para conscientizar mexicanos

Versão inspirada em médicos se populariza na tradicional Festa da Candelária

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2021 | 05h00

CIDADE DO MÉXICO - Na última celebração da temporada natalina, os mexicanos costumam vestir bonecos lembrando o "menino Jesus"; este ano, uma versão inspirada nos médicos tenta conscientizar as pessoas sobre os perigos do coronavírus.

festa da Candelária - ou de Nossa Senhora da Luz - é celebrada no dia 2 de fevereiro para comemorar o dia em que Jesus foi apresentado no templo por seus pais. Todos os anos, comerciantes se esforçam para criar roupas marcantes. A última moda, o "menino Covid", é uma homenagem "aos médicos  e enfermeiros que estão na linha de frente da pandemia", explicou à Agência France-Presse Felipe Garrido, gerente de uma loja no centro histórico da Cidade do México.

A ideia, acrescenta Garrido, é "sensibilizar as pessoas para que compreendam que isto não é um jogo e que estamos passando por uma situação muito difícil."

Uma dezena de figuras de Jesus, quase do tamanho de um recém-nascido, exibem os trajes do "menino Covid", que vão desde roupas simples de bebê com máscaras até macacões azuis completos com máscaras cirúrgicas, passando pelo clássico jaleco branco e estetoscópio.

Todos carregam o que parece ser uma embalagem de álcool gel em uma das mãos.

Embora o fluxo de clientes seja menor este ano, dezenas de pessoas de todo o país driblam o medo do contágio para comprar as peças nas lojas do centro, a preços de até 220 pesos (aproximadamente R$ 50).

“Vim comprar o 'Menino Covid' porque meu pai é médico, está ajudando muitos pacientes com covid-19 e eu quero protegê-lo”, diz Aline Villegas, uma fisioterapeuta de 26 anos que segue essa tradição todo ano.

Aglomerações

Outras versões populares são Sagrado Coração, San Judas Tadeu e Menino de Atocha. Nos anos anteriores, os bonecos de Jesus foram vestidos até de jogadores de futebol, gerando críticas da Igreja Católica.

Nas lojas, o distanciamento social é rigorosamente observado e a entrada de clientes é controlada.

Porém, do lado de fora, uma verdadeira multidão - muitos sem máscaras - continua a visitar o tempo todo algumas ruas do centro histórico, onde a reabertura do comércio foi permitida apesar do vírus não ter recuado. O avanço já obrigou a suspensão de atividades não essenciais na capital em 18 de dezembro.

O Dia de Nossa Senhora da Luz também é motivo de encontros entre familiares e amigos no México.

Segundo autoridades da capital e da região metropolitana, a mais afetada pelo coronavírus, muitas das infecções que mantêm a ocupação hospitalar em 87% ocorreram nas festas de final de ano.

Devido à emergência de saúde, a Igreja Católica pediu aos fiéis para celebrar as festividades em suas casas.

Com 126 milhões de habitantes, o México registrou mais de 1.806.800 infecções até a última quarta-feira, 27, e ultrapassou 153.600 mortes pela covid-19, o que o coloca como o quarto país mais afetado pela pandemia em números absolutos, atrás dos Estados Unidos, Brasil e Índia. /AFP

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