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Meninos são isolados dos pais por precaução

Quarentena serve para evitar infecções e doenças causadas pelo tempo na caverna

O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 05h00

CHIANG RAI, TAILÂNDIA - Autoridades da Tailândia mantiveram ontem a identidade dos oito garotos resgatados em sigilo por respeito aos que ainda estão presos na caverna de Tham Luang, no norte do país. Alguns parentes afirmaram ignorar quem já foi salvo, enquanto outros disseram que não podem visitar os meninos no hospital. O isolamento ocorria sob argumento de evitar infecções. Era permitido apenas que o grupo fosse visto através de um vidro.

Mongkhol Boonpiam, um garoto de 14 anos, foi dado pela imprensa tailandesa como o primeiro jovem a ser resgatado no domingo. No entanto, sua mãe, Namhom Boonpiam, não recebeu nenhuma informação oficial. “Só ouvi o nome dele, Mongkhol, e fiquei suficientemente contente”, disse a mulher ao jornal britânico The Guardian.

Segundo Jatyad Chokmangmuk, secretário do Ministério da Saúde tailandês, a quarentena deve durar no máximo 48 horas. “As crianças serão mantidas longe dos pais por um ou dois dias e estarão no quarto do hospital”, afirmou. Depois, segundo ele, os meninos ficarão sob vigilância médica durante pelo menos uma semana.

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O hospital explicou, em comunicado enviado à imprensa, que é necessário “garantir que as crianças e suas famílias estejam seguras”. De acordo com os médicos, as cavernas de Tham Luang “têm um ambiente diferente e animais que podem transmitem determinadas doenças”.

Os quatro primeiros garotos resgatados da caverna inundada, no domingo, estavam em boas condições de saúde e, ao serem hospitalizados, pediram logo para comer um prato popular no país. “Os quatro estão ótimos. Disseram que estavam com muita fome e pediram arroz frito com manjericão-santo”, disse o chefe da operação, Narongsak Osottanakorn. 

Internação

Tanto o quarteto resgatado no domingo quanto o grupo retirado ontem foram levados de helicóptero da caverna de Tham Luang para o Hospital Chiang Rai Prachanukroh, no centro da Província de Chiang Rai, a 70 quilômetros do local. Para o mesmo lugar devem ser conduzido os cinco integrantes que faltam do time de futebol que, no dia 23, decidiu fazer uma excursão pelas galerias subterrâneas, inundadas por uma tempestade inesperada. 

Questionado se os quatro meninos e o técnico do time amador “Javalis Selvagens” poderiam ser retirados juntos, o chefe da operação indicou que esta não é a estratégia inicial. “Isso depende do plano. Nós temos um plano para quatro pessoas. Então, se eles querem tirar cinco (ao mesmo tempo), precisarão mudar o plano”, disse Narongsak.

Na semana passada, funcionários tailandeses informaram que os primeiros a serem resgatados seriam os que estivessem em melhores condições físicas, mas Narongsak esclareceu mais tarde que quem estivesse pronto seria retirado. Isso indica que os quatro últimos meninos seriam salvos hoje, seguindo o ritmo adotado nos dois primeiros dias, mas não o treinador Ekapol Chanthawong, de 25 anos. O salvamento do técnico tende a ser o mais complicado, por ele ser maior que os meninos e haver trechos estreitos, em que mesmo para os mergulhadores é difícil passar.

Somboon Sompiangjai, de 38 anos, pai de um dos meninos, confirmou que os socorristas a cargo da operação de domingo informaram que os mais fortes do grupo seriam retirados primeiros. “Não nos disseram quem foi retirado. Nós não podemos visitá-los até terça-feira, porque eles precisam ser monitorados durante 48 horas.

Exames

Um integrante da operação de resgate que viu dois dos garotos disse à agência Reuters que eles pareciam cansados, mas saudáveis. Um dos dois estava até bastante animado. “Eles lembravam corredores de maratona que chegam exaustos, mas satisfeitos, ao fim do percurso”, comparou a fonte.

Membros da equipe médica envolvida na operação disseram ontem que os primeiros exames dos resgatados concentraram-se em problemas de respiração, na detecção de hipotermia e em sintomas de uma infecção pulmonar conhecida como “doença da caverna”, causada por fezes de morcegos e de aves que, se não for tratada, pode ser fatal. / REUTERS

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