Menor república do mundo aceita refugiados em navio

O governo de Nauru, o minúsculo país situado em uma ilha do Pacífico, disse nesta segunda-feira estar disposto a aceitar mais centenas de refugiados rejeitados pelas autoridades australianas num alegado golpe contra os traficantes de seres humanos. Embora o acordo já tenha sido assinado, ainda estão atrasados os preparativos para receber mais de 500 refugiados que possivelmente deverão chegar à ilha já na terça-feira. Ao chegarem, os refugiados serão acomodados num conjunto residencial cercado de palmerias originalmente construído para abrigar os participantes de um campeonato de halterofilismo no início deste ano. Os apartamentos nunca foram ocupados porque o campeonato foi transferido para Guam, outra ilha do Pacífico, devido à falta de estrutura em Nauru, um mínimo ponto no Pacífico entre a Austrália e o Havaí. Nauru concordou hoje em dar asilo a mais de 230 refugiados retirados das águas australianas pela Marinha do país na sexta-feira à noite e que se juntaram a outros 283 anteriormente recusados pela Austrália após serem recolhidos por um barco norueguês quando a balsa indonésia em que viajavam naufragou no mês passado. O primeiro-ministro australiano disse ter tomado esta dura medida para estancar o contrabando de refugiados que são conduzidos ao maior país da Oceania por bandos organizados de traficantes. Os refugiados estão a bordo de um navio da Marinha australiana, o HMAS Manoora, que está se dirigindo para Papua Nova Guiné. De lá, os homens seguirão para Nauru, enquanto 150 mulheres e crianças serão levadas para a Nova Zelândia por via aérea. Em retribuição ao gesto de Nauru, a Austrália garantirá um suprimento de combustível para os geradores de energia da ilha num valor correspondente a US$ 6,8 milhões nos próximos meses. A Austrália também dobrará o número de bolsas de estudos e de esportes concedidas aos estudantes nauruanos e perdoará as dívidas de tratamento dos habitantes da pequena ilha em hospitais australianos. A maior fonte de renda de Nauru, cuja área total é de 21,2 km2 e cuja população não chega a 12.000, é a extração e exportação de fosforito, presente em grande quantidade na área central da ilha. O fosforito é formado pelo depósito, durante milhares de anos, de excrementos de pássaros misturados com microorganismos do oceano. Após dezenas de anos de exploração predatória, a nação sobrevive basicamente graças à ajuda externa, ao rendimento de aplicações num fundo de investimentos australiano e de serviços bancários em parte controlados por máfias russas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.