AFP PHOTO / George OURFALIAN
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Mensagem da população de Alepo para o mundo

Moradores da cidade afetada por intensos bombardeios pedem ajuda humanitária e mais atuação das Nações Unidas no país

O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2016 | 14h32

Eles permanecem de pé em frente a diversos prédios destruídos, com a exaustão do seu cotidiano explícita em seus rostos. Alguns deles usam calças jeans, camisetas e tênis, e outros vestem os uniformes das funções que ocupam. Os homens carregam bandeiras de grupos opositores sírios e as mulheres seguram bebês.

Eles são um grupo de ativistas - médicos, professores e civis - das regiões sitiadas de Alepo, controladas pelos rebeldes, de acordo com informações da rede CNN. Em um vídeo gravado em inglês, eles fazem um apelo à comunidade internacional, principalmente à coalizão liderada pelos EUA, para que os envie ajuda humanitária. “Faz quase seis anos e nos perguntamos: o que o mundo está fazendo?”, questiona um morador local.

Um médico sírio que fala inglês, conhecido como Hamza al-Khatib, é um dos ativistas. Ele faz um relato sombrio sobre a miséria em Alepo, com base em números obtidos pelo grupo: 500 mil pessoas foram mortas na Síria em 6 anos; ao menos 271.536 ficaram presas na área de Alepo controlada pelos rebeldes; cerca de 2,3 mil ataques foram registrados em 23 dias; 4 hospitais, 6 escolas, 2 padarias e a sede da Defesa Civil do país foram bombardeados em uma semana.

A CNN não conseguiu verificar quantas pessoas morreram na Síria, mas as Nações Unidas dizem que o número chega a 400 mil. “Quantos hospitais e escolas precisam ser destruídos para que se veja as ações reais contra crimes de guerra na Síria? Não tem como ficar pior do que está”, relata outro sírio.

O número de mortos em Alepo continua subindo. Ao menos 59 civis foram mortos na cidade em apenas um dia, segundo a Defesa Civil da Síria, também conhecida como Capacetes Brancos. A organização disse que entre os mortos está uma mulher de 55 anos, vítima de um ataque químico.

Moradores da cidade síria sofrem com a fome e a falta de acesso a atendimento médico, e preferem não ir aos hospitais para receber tratamento pois temem se tornarem vítimas dos bombardeios aos hospitais.

Nos últimos seis anos, a ajuda tem chegado de forma lenta, denunciam os ativistas, que se questionam o quão boa e eficaz vem sendo ONU. Até mesmo o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon reconheceu que a Síria “pode ficar marcada como uma das falhas das Nações Unidas”.

Al-Khatib apela para a comunidade internacional para pressionar pelo fim da atuação da força aérea do presidente sírio Bashar Assad nos bombardeios à cidade; pela abertura de um corredor humanitário desmilitarizado sob o controle das Nações Unidas para que se possa levar a Alepo alimentos, combustíveis, remédios e suprimentos de infraestrutura para estações de tratamento de água, eletricidade, hospitais, escolas e defesa civil.

Na visão dos ativistas, a comunidade internacional tem o futuro de Alepo nas mãos. “Não olhem para trás daqui a alguns anos e desejem que poderiam ter feito algo. Vocês ainda podem”, afirma Al-Khatib.

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