Mohammed Salem / REUTERS
Mohammed Salem / REUTERS

Mensagem de texto e advertência: a técnica de Israel para evitar mortes de civis em Gaza

Chamada "Batida no telhado", tática foi adotada depois de acusações de crimes de guerra contra Gaza em 2014

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 15h00

JERUSALÉM - Depois de ter sido acusado de crimes de guerra no conflito com o Hamas em 2014, o Exército de Israel tem ampliado uma técnica militar durante o confronto com o grupo palestino no atual confronto na Faixa de Gaza chamada "Batida no telhado". O objetivo da tática, que consiste em avisar dos bombardeios por mensagem de texto, telefonema ou tiro de advertência, é evitar baixas civis. 

No sábado à tarde,  Jawad Mehdi, proprietário de um prédio comercial que abriga os escritórios de veículos de imprensa internacionais, recebeu uma ligação de um oficial israelense. Por telefone, o oficial pediu em árabe que o prédio fosse evacuado dentro de uma hora. O proprietário tentou negociar um prazo maior e a conversa se prolongou. O edifício de 13 andares, evacuado em pânico, foi pulverizado uma hora depois e as redações da Associated Press e da Al-Jazeera foram destruídas.

O Exército de Israel inventou a tática em 2009 em sua comunicação de guerra. No entanto, segundo as ONGs de defesa dos direitos humanos, a advertência não isenta quem ataca de sua responsabilidade em relação ao direito humanitário internacional.

"Enviamos um pequeno míssil vazio para atingir o telhado e avisar aos civis que precisam evacuar o prédio. Continuamos em observação para garantir que se retirem", diz um responsável da aviação militar israelense, que pediu anonimato. "Quando temos a maior certeza possível sobre a evacuação do prédio, disparamos", afirma.

Embora este funcionário encarregado do protocolo mencione razões morais, que incitam o Exército a limitar os danos colaterais sobre os civis, Israel também tem a intenção de se proteger de eventuais acusações.

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A procuradora-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), Fatou Bensouda, abriu uma investigação por supostos crimes de guerra nos territórios palestinos, especialmente durante a guerra de Gaza de 2014.  A Promotoria militar israelense está incluída na elaboração de alguns desses protocolos de advertência. 

Mohamad al-Hadidi se pergunta por que nunca recebeu essa ligação no sábado passado, quando sua esposa e quatro de seus cinco filhos morreram em um bombardeio israelense em um edifício do acampamento de Al-Shati, onde a família passava a noite.  "O que nós fizemos para merecer sermos bombardeados, sem nenhum alerta, sem que nos pedissem para nos retirarmos?", questiona.

O Exército não forneceu dados sobre o número de "roof knockings" desde 10 de maio, início da escalada militar com o Hamas, movimento no poder em Gaza.   "Promovemos mais de mil ataques. Quando se trata de infraestruturas, podemos usar esta técnica, mas não quando se trata da eliminação de terroristas", afirma o responsável da aviação militar.

"Emitir um alerta não absolve as forças atacantes de suas obrigações em virtude do direito internacional humanitário com os civis", diz a porta-voz da Anistia Internacional para a região, Sara Hashash./ AFP 

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