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Mensalão afegão expõe fragilidade da relação com os EUA

ANÁLISE: Adriana Carranca

O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2013 | 02h07

A notícia vem de um distante Afeganistão, mas soa familiar aos brasileiros. Malas de dinheiro distribuídas à base aliada e à oposição para comprar o apoio para o governo. Mais do que um esquema de propina, desvio de dinheiro e corrupção, revelado pelo New York Times, o mensalão afegão expõe a fragilidade das relações da Casa Branca com o governo de Hamid Karzai. Doze anos após o início da ofensiva militar que depôs o regime do Taleban, os EUA usam dólares obscuros para conquistar a lealdade daqueles que colocou no poder.

A estratégia não é nova. Nos anos 80, a CIA enviou malas de dinheiro a chefes de milícias afegãs para lutarem contra os invasores soviéticos. Quando os russos se retiraram, o dinheiro minguou. Armados até os dentes, os senhores da guerra voltaram-se uns contra os outros e o país mergulhou numa guerra civil que terminou com a ascensão do Taleban ao poder, o que se tenta evitar agora.

Após o 11 de Setembro, os EUA novamente recorreram aos antigos aliados para depor o Taleban. Quando os radicais caíram, eles ganharam postos no governo de Karzai em troca de lealdade. É para debaixo de seus tapetes que os milhões de dólares da CIA continuam a fluir, em uma rede de corrupção e clientelismo facilitada pela política americana.

Um exemplo é o marechal Fahim, ex-chefe militar da Aliança do Norte - cujos milicianos tajiques escoltaram a cavalo os tanques americanos em 2001. Ele foi acusado de negócios ilícitos como tráfico de drogas e sequestros de estrangeiros e os EUA tentaram se livrar dele nas eleições de 2004. Após dar sinais de poder, como a escalada da violência em áreas dominadas por Fahim e ameaças a Karzai, ele foi reintegrado ao governo como vice-presidente, em 2006. Próximo à cúpula afegã, diz-se que Fahim, e não o presidente afegão, comanda o país.

O que a CIA tenta agora é uma saída para a guerra, uma forma digna de arrematar o conflito e manter sua contestável influência, comprando a lealdade dos senhores da guerra e de Karzai, evitando assim que o país mergulhe numa nova guerra civil com a saída das tropas até 2014, acabe por sucumbir ao Taleban ou amarre um acordo com os radicais que exclua os EUA, o que não seria nada bom para o legado de Barack Obama.

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