Mentor do Tea Party crê que crise econômica dará vitória a Romney

Influente sobre George W. Bush, Karl Rove exibe em reunião republicana na Flórida tática para tirar Obama do poder

DENISE CHRISPIM MARIN , TAMPA / ENVIADA ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h08

Um mago das últimas seis corridas eleitorais nos EUA e um dos principais mentores do Tea Party, Karl Rove, conhecido em Washington como a eminência parda do governo de George W. Bush, acredita que, em um cenário de equilíbrio eleitoral, o republicano Mitt Romney terá sobre Barack Obama a vantagem de não ser responsabilizado pela má situação da economia dos EUA.

Na opinião dele, a eleição para a Casa Branca, em 6 de novembro, será decidida por americanos que não conhecem bem o candidato ao segundo mandato, nem seu desafiante republicano.

Quase seis horas antes da abertura oficial da convenção do Partido Republicano em Tampa, na Flórida, Rove expôs sua avaliação sobre o processo eleitoral deste ano em um evento organizado pelo site de notícias Politico. Romney, para ele, terá como maior desafio vencer em Ohio, Estado responsável por designar 18 delegados para o Colégio Eleitoral, a instância na qual a eleição será decidida de forma indireta. Trata-se de um terreno movediço, onde Obama está concentrando fortemente sua campanha.

Assim como o Estado de Indiana, conquistado por Obama em 2008, tornou-se republicano nesta eleição, Rove acredita ser possível Flórida (29 delegados), Carolina do Norte (15 delegados) e Virgínia (13 delegados) seguirem o mesmo caminho. Vencendo nesses Estados, incluindo Ohio, Romney ainda precisará de 14 delegados para alcançar os 270 votos necessários para tirar a Casa Branca de Obama. Wisconsin, o Estado do companheiro de chapa de Romney, o deputado federal Paul Ryan, e New Hampshire, podem trazer esse conforto. Seus eleitorados, porém, continuam tão indefinidos como os de Colorado e Iowa.

Rove está ciente da vantagem de Obama nesse mesmo quadro eleitoral. Com 221 delegados já praticamente conquistados, o presidente precisa apenas de mais 49 para se manter na Casa Branca por mais quatro anos. O estrategista republicano, porém, afirma que o poder financeiro é capaz de alterar cenários eleitorais vistos como consolidados. Em 2010, o investimento de cerca de US$ 70 milhões pela Crossroads GPS, empresa fundada por ele para sustentar as campanhas eleitorais de seus aliados do Tea Party, foi um dos principais responsáveis pela reconquista da Câmara de Deputados pelos republicanos.

No livro Bush's Brain, James Moore e Wayne Slater sustentam ter sido Rove o responsável por fazer Bush apresentar-se como "presidenciável" em 2000 e quatro anos depois. Sem ele, afirmam os autores, a guerra do Iraque não teria ocorrido. Nem a adoção da Lei Patriótica, que impôs um código de segurança nacional nos EUA. Além de ser chamado de "o cérebro de Bush", Rove foi chamado de "mágico de oz da Casa Branca" na década passada.

Na oposição, desde 2009, ele move uma máquina financeira cujo objetivo mais claro é tirar Obama da Presidência - mesmo que, para isso, tenha de eleger um conservador moderado remodelado por um discurso mais ao gosto dos radicais do Tea Party.

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