Mercado brasileiro deve continuar pressionado

Os ataques dos Estados Unidos no Afeganistão, apesar de esperados, deverão aumentar a volatilidade dos mercados financeiros. Apesar do feriado de "Columbus Day" (descoberta da América) nesta segunda-feira, a Bolsa de Nova York funcionará. Economistas acreditam que os efeitos da ofensiva norte-americana já foram incorporados aos preços das ações, das cotações do dólar e dos juros. Além disso, os analistas estão convencidos de que na reunião do G-7 no fim de semana tenha sido articulada alguma proteção aos mercados. O deputado Delfim Netto (PPB-SP) disse que muito provavelmente o mercado já incorporou ao valor de seus ativos o risco de um conflito no Oriente, mas ponderou que o grande teste será terça-feira. "Se se acredita que o mercado é perfeito, já deve estar tudo precificado e não deverá acontecer nada." No entanto, Delfim considera que a apreensão e a volatilidade deverão aumentar. O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda, acredita que a volatilidade dos mercados aumentará. "As incertezas são maiores e, com isso, as bolsas, o dólar e os juros devem reagir", afirmou. O economista observou que o fato de o Brasil ser muito dependente de capital externo para fechar suas contas faz com que as turbulências internacionais tenham reflexos ainda maiores no País. A novidade, segundo ele, é o ataque dos Estados Unidos ao Afeganistão, apesar de previsto. De toda forma, observou, as turbulências na Argentina continuam sendo a principal preocupação "A Argentina é uma espada pendendo sobre as nossas cabeças", disse. Ele explicou que a ameaça do país vizinho é o risco de mudança no regime cambial, que terá forte repercussão na economia brasileira. Os sete países mais ricos do mundo, que se reuniram neste fim de semana, devem ter articulado alguma rede de proteção aos mercados, avaliou o sócio-diretor da empresa de consultoria Rosenberg & Associados, Dirceu Bezerra Júnior. "Os bancos centrais dos países ricos devem estar preparados para uma forte atuação nos mercados amanhã", disse Bezerra Júnior. Na sua avaliação, juros e câmbio deverão abrir bastante pressionados no Brasil, devido às turbulências na Argentina, que realiza no domingo eleições parlamentares. Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.