Mercado internacional reage bem à saída de Chavez

A reação inicial dos mercados internacionais à queda do presidente da Venezuela, Hugo Chavez, foi positiva. Segundo analistas da City londrina, a saída da Chavez abre caminho para que a Venezuela volte a ser governada por uma administração alinhada com políticas de livre mercado e afasta o fantasma do populismo na América Latina. Um reflexo disso é que os papéis latino-americanos estão em alta hoje. Os C-Bonds saltaram de 81,5 centavos de dólar para 82,5, uma alta de 1,2%. Os bônus venezuelanos em dólares registraram um alta de 2,65%. Os preços do petróleo também apresentam uma tendência de queda, com o barril Brent sendo negociado a US$ 24,74, uma queda de 1,2%."Trata-se de uma notícia muito boa para o mercado de dívidas e acionários", disse Dominic Rossi, o diretor para América Latina do fundo de investimentos Threadneedle Asset Management. Segundo ele, Chavez representava uma permanente ameaça aos direitos de propriedade privada no país. "A nossa expectativa é que após um governo interino, tenhamos na Venezuela uma administração liberal, aberta ao mercado." Rossi não acredita que a crise na Venezuela possa vir a afetar, entre os investidores externos, a imagem de estabilidade democrática na região. "Muito pelo contrário, pois o governo de Chavez não era visto como uma democracia plena." ?Qualquer pessoa será melhor do que Chavez"O chefe para pesquisa de mercados emergentes do banco Dresdner Kleinwort Wasserstein, Neil Dougall, também avalia que a saída de Chavez representa um fator positivo. "A percepção geral nos mercados é de que qualquer pessoa será melhor do que Chavez", disse Dougall. "O fato de que vários setores da sociedade venezuelana, como os sindicatos e associações empresariais, se uniram para pressionar a saída de Chavez é muito importante pois indica que o governo interino será pressionado para promover rapidamente novas eleições." Segundo ele, a Venezuela poderá vir a ter um governo "menos intervencionista e mais aberto ao mercado". Dougall salientou também que a queda de Chavez não deverá ter um contágio negativo na América Latina. "Acredito que o efeito será positivo, pois Chavez representava uma referência de populismo que alguns temiam que poderia se espalhar na região", afirmou. "Com a sua saída, essa possibilidade será ainda mais debilitada".Leia tudo sobre a crise na Venezuela

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