Mercado prevê triunfo do 'não' e fecha em alta

Antes mesmo de as urnas fecharem, ações de empresas escocesas subiram mais do que a média na Bolsa de Londres e a libra esterlina se valorizou

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2014 | 02h01

Antes mesmo de a votação terminar na Escócia, a City londrina, o maior mercado financeiro da Europa, encerrou o expediente ontem com a aposta cautelosa de vitória do "não". Os reflexos dessa previsão foram a forte subida da libra - chegou a se valorizar 0,93% durante o dia e atingiu maior patamar em duas semanas, a US$ 1,6398 - e a valorização das ações ligadas ao mercado escocês.

"Enquanto os escoceses votam e decidem seu futuro, as ações de empresas mais ligadas à Escócia e a libra subiram. Isso sugere que diminuiu a expectativa pelo 'sim' no plebiscito", disse o analista da corretora IG Markets em Londres, David Madden. Nessa corretora, a equipe de economistas passou a calcular a probabilidade matemática do resultado com base nos investimentos dos clientes. Ontem, o indicador informal mostrava chance de 18% de vitória do "sim". Mesmo quando as pesquisas indicaram ligeira vantagem para os independentistas, a possibilidade real segundo o mercado era de apenas 30%.

Em outra corretora de câmbio, a IronFX, a sensação era idêntica. "Durante o dia, tivemos números abaixo do esperado das vendas do varejo, o que deveria ter enfraquecido um pouco a libra. No entanto, a moeda se recuperou diante da expectativa positiva dos investidores para o resultado do plebiscito da Escócia", disseram os analistas da casa em relatório.

Aos clientes, o banco Credit Suisse manteve a previsão de que o "não" sairia vitorioso. Mesmo assim, a instituição era mais cautelosa sobre como o mercado britânico e escocês devem se comportar nos próximos meses. "A perspectiva de longas discussões políticas após o voto nos deixa com um viés neutro para a libra a partir de agora", disse o banco. Na reta final da campanha, o governo de David Cameron acenou com novos poderes para Edimburgo em caso de vitória do "não". Para isso, será preciso negociar quais temas passarão a ser responsabilidade da Escócia.

Além do fortalecimento da moeda britânica, a Bolsa de Londres também foi beneficiada e terminou o dia com valorização de 0,57%. Empresas ligadas ao mercado escocês estiveram entre as que mais subiram. Os papéis da gestora de recursos escocesa Aberdeen Asset Management, por exemplo, ganharam 1,85%. Já as ações da empresa de equipamentos aeroespaciais e de defesa BAE Systems avançaram 1,43%. Lloyds Bank e Royal Bank of Scotland também foram melhores que a média da bolsa londrina.

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