Mercado privado vende artigos estrangeiros

Produtos Nespresso em todas as suas variações fazem parte das opções do cardápio do café Sol Nascente, onde os norte-coreanos com dinheiro no bolso se reúnem no fim da tarde na capital Pyongyang. Pela janela, os frequentadores podem ver o trânsito cada vez mais intenso de carros e os altos edifícios do condomínio batizado pelos estrangeiros de "Dubai", por sua arquitetura moderna e constante iluminação.

PYONGYANG, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2013 | 02h16

Pyongyang teve no último ano uma explosão no número de restaurantes, bares, cafés, supermercados e lojas, frequentados principalmente por pessoas que ocupam posições privilegiadas no aparato do governo ou conseguem ganhar dinheiro pelas frestas abertas no sistema de controle da economia pelo Estado norte-coreano.

Muitos vendem produtos nos mercados privados que são tolerados pelo governo ou se beneficiam do crescente comércio com a China, fonte da maioria parte dos produtos industrializados atualmente à venda na Coreia do Norte.

Importados. O supermercado localizado no mesmo prédio onde está o café Sol Nascente tem geleia alemã, frutas secas do Oriente Médio, vinho francês, frango brasileiro e um infinidade de outros produtos, organizados de maneira atrativa, bem distante do estilo soviético que caracteriza a Loja de Departamentos Número 1, ao lado da praça Kim Jong-il.

O pagamento deve ser feito em euro, dólar ou yuan, moedas a que uma parcela dos norte-coreanos têm acesso.

A cidade que há cerca de dois anos não possuía semáforos tem agora um tráfego intenso, com carros japoneses, alemães, americanos e chineses - Mercedes-Benz é a marca preferida dos altos dirigentes. A maioria esmagadora dos veículos tem placas brancas, o que significa que pertencem ao Estado. Apesar disso, são usados como carros privados por seus "donos".

Uma das grandes lojas de eletrodomésticos da cidade vende esteiras de corrida, computadores, memórias USB, impressoras, máquinas de lavar, refrigeradores, TVs de alta definição e roteadores - item aparentemente sem utilidade no país, onde as pessoas não tem e-mail nem acesso à internet. / C.T.

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