Jim Watson, Saul Loeb/AFP
Jim Watson, Saul Loeb/AFP

Mercado teme prorrogação da disputa entre Trump e Biden

Para investidores, indefinição sobre resultado da eleição trará incertezas para rumos da política econômica americana pelos próximos anos

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2020 | 04h00

Com o candidato democrata Joe Biden à frente nas pesquisas para a presidência dos EUA, o maior temor dos investidores é que a disputa pela Casa Branca não acabe hoje e vá parar na Justiça. O mercado sabe que a indefinição deixaria incertos os rumos da política econômica americana pelos próximos quatro anos. 

Na avaliação de analistas ouvidos pelo Estadão, o cenário em que o atual presidente, Donald Trump, perca a eleição por uma margem estreita de votos e não aceite a derrota é tido como um pesadelo pelo mercado, já que a indefinição política se arrastaria por dias ou semanas.

“A indefinição é a pior coisa que poderia acontecer para os mercados, em um momento de segunda onda de pandemia nos países desenvolvidos”, avalia Roberto Luís Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). 

Para os analistas, quando estiver definido o futuro presidente dos EUA, o mercado deve reagir de formas opostas. Caso o democrata ganhe, a primeira reação seria negativa nas bolsas, com o receio de que o novo governo aumente impostos corporativos. No longo prazo, no entanto, a expectativa seria positiva, dado que o presidente poderia melhorar as relações com a China, avançar em parcerias e diminuir a tensão no comércio internacional. 

Se a vitória do democrata se confirmar, com o partido também conquistando o Senado, a chance de “massivos estímulos” melhorariam as perspectivas para a atividade econômica americana em 2021, o que por sua vez ajudará o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, ressaltam os estrategistas do banco JPMorgan.

No caso de reeleição de Trump, o movimento seria o oposto: euforia em um primeiro momento, pela afinidade que o governo do republicano mantém com o mercado, mas negativa em um segundo momento, já que os investidores veriam os próximos quatro anos como “mais do mesmo”. 

“Trump não tem uma proposta nova para o país superar a crise causada pela pandemia. Falta criatividade e o mercado sabe disso”, diz André Perfeito, economista-chefe da Necton. “No caso de Biden vencer, o investidor brasileiro ficará atento ao futuro das relações entre o governo americano e Jair Bolsonaro, sobretudo em áreas sensíveis, como o meio ambiente.” 

“No longo prazo é melhor que o Biden ganhe. Ele tem uma visão mais ampla de integração com a economia mundial e vai ter uma relação melhor com a China. O mercado olha o curto prazo, mas um dia a conta vem – e Trump deixará um país muito endividado”, diz Troster. 

Apesar do temor que o mercado tem de uma indefinição no resultado das eleições, as bolsas de Nova York tiveram um pregão tranquilo ontem, recuperando parte das perdas registradas na semana passada. O índice Dow Jones, por exemplo, teve alta de 1,60%. / COLABOROU ALTAMIRO SILVA JUNIOR

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