Mercados doarão comida para evitar saques na Argentina

Rumores na capital e na região metropolitana de Buenos Aires indicam que haverá uma nova onda de roubos nos dias 19 e 20

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2013 | 02h01

O governo da Província de Buenos Aires e os donos de supermercados da região concordaram em entregar sacolas de alimentos nas áreas de maior tensão social, como forma de acalmar os grupos de saqueadores nos dias prévios ao Natal. Ao distribuir as sacolas como "cestas natalinas", o governo provincial pretende evitar que os municípios da Grande Buenos Aires, onde residem 10 milhões de pessoas, transformem-se em foco de distúrbios nas próximas semanas.

A entrega de sacolas de comida pelos supermercados para evitar saques é uma prática que se tornou comum em dezembro de 2001, quando milhares de estabelecimentos comerciais foram depredados em toda a Argentina. Essa política de apaziguamento dos grupos de saqueadores continuou em 2002 e repete-se ocasionalmente desde então.

Desde a semana passada, uma onda de saques atingiu 16 províncias argentinas, coincidindo com greves das polícias províncias, que exigiam maiores salários. Os ataques começaram na cidade de Córdoba, segunda maior cidade do país. Ali, a paralisação policial despertou a cobiça de milhares de pessoas que saquearam centenas de estabelecimentos comerciais. Além disso, os criminosos assaltaram 1.100 casas em Córdoba.

Os incidentes feriram centenas e 13 pessoas morreram. O secretário de segurança da Província de Buenos Aires, Alejandro Granados, acompanhado por Alfredo Coto, diretor executivo da Associação de Supermercados Unidos (ASU), declarou que os donos de supermercados também colaborarão com a polícia de Buenos Aires emprestando veículos para que as forças de segurança se mobilizem de forma mais rápida. "Estamos prontos para que os saques não ocorram", afirmou Granados.

Rumores em Buenos Aires e na região metropolitana da capital argentina indicam que uma nova leva de saques assolaria essa área do país nos dias 19 e 20, coincidindo com o aniversário dos assaltos aos estabelecimentos comerciais em dezembro de 2001 que provocaram a renúncia do então presidente Fernando de la Rúa (1999-2001).

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