Mercados temem que Irã corte fornecimento de petróleo

Os mercados mundiais de petróleo estão tensos com a crise provocada pela rejeição do Irã à proposta de desistência de seu programa nuclear em troca benefícios econômicos. O temor nos mercados é de que o Irã, quarto maior produtor mundial de petróleo e segundo da Opep, com produção média de 3,8 milhões de barris diários, possa cortar seu fornecimento se o Conselho de Segurança decretar sanções econômicas. A possibilidade de sanções provocam especulação em alta nos mercados de futuros e pode fazer os preços do petróleo passarem a marca dos US$ 100/barril. Teerã entregou na tarde de terça-feira por escrito a esperada resposta. O país não aceita abandonar o enriquecimento de urânio. Nesta quarta-feira, a França, um dos países membros do Conselho de Segurança da ONU, avisou que o Irã terá que aceitar a proposta e que, se o país quiser negociar, precisa interromper seu programa. Os outros países do conselho (EUA, Rússia, China, Reino Unido e Alemanha) anunciaram que estudarão "detalhadamente" a complexa resposta iraniana. Assim, começou um novo período de espera até a tomada de uma nova decisão. Segundo a empresa de consultoria especializada em mercados energéticos PVM, não está claro se a ONU vai impor sanções ao Irã. Nesta quarta-feira, os preços do petróleo baixaram depois dos analistas avaliarem que o Irã abriu a possibilidade de continuar as negociações sobre seu programa nuclear. Os investidores aguardam o informe semanal do governo norte-americano avaliando o preço do petróleo e seus derivados. O preço do petróleo cru baixou 53 centavos nesta quarta-feira.Plataforma Nesta quarta-feira, o Irã devolveu o controle de uma plataforma de petróleo confiscada, na terça-feira, no Golfo Pérsico, para o Grup Servicii Petroliere (GSP), em meio a uma disputa comercial entre as duas partes sobre o direito de a companhia romena recuperar suas plataformas. O grupo romeno estava em processo de remoção da plataforma das águas iranianas por causa de uma disputa contratual com a Oriental Oil Kish, quando a unidade foi invadida por soldados iranianos.Para os analistas, o episódio mostra que a república islâmica tem alertado que pode interromper o abastecimento de energia, caso a ONU imponha sanções no caso de sua rejeição em parar com o enriquecimento de urânio. "Eles demonstraram como é fácil provocar uma suspensão no suprimento de petróleo ao assumirem a plataforma ontem", comentou um analista.

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