Mercosul apresenta proposta sobre turismo à OMC

Mesmo com toda a crise que atinge o Mercosul, o bloco continua tentando atuar de forma conjunta nas negociações internacionais. Amanhã, os quatro sócios do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) apresentam à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma proposta conjunta para promover a liberalização do setor de serviços de turismo. A idéia do Mercosul é de que os governos abram seus mercados para as operadoras de turismo do exterior. Em muitos países, o estabelecimento desses serviços é restrito às empresas locais, o que impossibilita que pacotes de viagens sejam vendidos pelos países que irão receber o turista. Em algumas regiões da Europa, por exemplo, as operadoras estrangeiras apenas podem atuar se estiverem associadas às empresas locais. O resultado dessas restrições é que, quando um turista europeu viaja ao Cone Sul, é a operadora de seu próprio país, por meio de acordos com hotéis, quem recebe parte significativa dos lucros. "Trata-se de uma proposta agressiva do Mercosul, já que o problema atinge os quatro países do bloco", afirma um negociador uruguaio. Segundo o Mercosul, essas barreiras acabam acentuando ainda mais a tendência dos países ricos de concentrarem a renda do turismo mundial. Segundo estudos da Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento), os países desenvolvidos correspondem a mais de 65% de todo o movimento do setor de turismo. "O objetivo (da proposta) é incrementar a renda que o turismo pode gerar aos países em desenvolvimento e contribuir para o aumento da participação desses países no comércio de serviços", explica o bloco em um comunicado. O turismo movimenta cerca de um terço de todo o comércio internacional de serviços, emprega 10% dos trabalhadores no mundo e, em alguns países em desenvolvimento, é a principal fonte de renda da população e do próprio governo.

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