André Dusek/AE
André Dusek/AE

Mercosul define sanções leves contra Paraguai

Entrada da Venezuela seria analisada pelos presidentes do Brasil, Argentina e Uruguai

Ariel Palacios, enviado especial a Mendoza,

29 de junho de 2012 | 10h49

MENDOZA - Os presidentes Dilma Rousseff, o uruguaio José Mujica e a argentina Cristina Kirchner, reúnem-se hoje na cidade argentina de Mendoza para a quadragésima-terceira cúpula do bloco do cone sul. Sem a presença do presidente do Paraguai, o trio de presidentes discutirá a aplicação de sanções "políticas" contra o governo de Federico Franco, que tomou posse da presidência paraguaia na sexta-feira passada após a destituição de Fernando Lugo, realizada após um célere processo de impeachment em Assunção. Os presidentes do bloco consideram que Franco provocou uma "interrupção da ordem democrática".

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Dilma, Mujica e Cristina reuniram-se a partir das 10:00 horas para um café da manhã trilateral, na companhia de seus respectivos chanceleres, para analisar o caso paraguaio. Cristina, anfitriã do convescote presidencial, recebeu Mujica e Dilma no elegante Hotel Intercontinental, onde também transcorre a cúpula do Mercosul.

No domingo, a chancelaria da Argentina, país que possui a presidência pro-tempore do Mercosul, anunciou que o bloco determinava a suspensão do Paraguai da reunião de ministros e presidentes em Mendoza.

A expectativa, ao longo da semana, era a de que o Mercosul aplicaria sanções comerciais contra o governo Franco, de forma a pressionar o novo presidente a devolver o cargo a Lugo ou de convocar eleições anticipadas.

No entanto, os chanceleres da Argentina, Hector Timerman, e do Brasil, Antonio Patriota, deixaram claro ontem que o Paraguai não sofrerá sanções econômicas.

O próprio ex-presidente Lugo declarou que não desejava a aplicação de punições econômicas contra seu país. Seu inimigo, o presidente Franco - que havia sido o vice-presidente de Lugo nos quatro anos prévios - também declarou que seria "injusto" infligir um "castigo" a 6 milhões de paraguaios.

O país seria, no máximo, proibido de participar das reuniões ordinárias e extraordinárias do Mercosul durante um período a determinar. Fontes diplomáticas argentinas e uruguaias indicaram ao Estado que o Paraguai ficaria suspenso até a realização das eleições presidenciais, previstas para abril.

O caso paraguaio também será discutido hoje à tarde na reunião da Unasul, que começará depois do encontro do Mercosul.

 

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