Mercosul está fraco para negociar Alca, dizem especialistas

O presidente da Associação deEmpresas Brasileiras para a Integração no Mercosul (Adebim), Michel Alaby, acredita que o bloco está entrandoenfraquecido nas negociações para a criação da Alca, que começaram efetivamente nesta semana."Considerando os eventos da última semana, está mais do que claro que o bloco não está coeso", afirmou o empresário.Michel Alaby está emBuenos Aires para participar do VI Fórum Empresarial das Américas, em paralelo à Reunião Ministerial da Alca.Alabydefendeu que, caso a Argentina adote uma postura de negociar um acordo bilateral com os Estados Unidos, o Brasil deveadotar uma nova estratégia e também buscar entendimento individual com Washington.Para Alaby, o futuro do Mercosulestá nas mãos da Argentina e na predisposição do país vizinho de voltar atrás na consolidação da união aduaneira em favor de tornar o bloco uma zona de livre comércio."O Brasil não tem as mesmas opiniões", ressaltou o empresário.Como exemplos da falta de unidade dentro do bloco, Alaby cita três casos: "Na crise da vaca louca, nossos parceirosafirmaram que poderiam suprir mercados que o Brasil viesse a perder (Canadá, Estados Unidos e México); o Brasil proibiua entrada de produtos vegetais da Argentina; a Argentina decidiu unilateralmente reduzir a Tec para importação de bens"."Com tudo isso, dá para falar em coesão? Não conseguimos ver posições parecidas nem nas negociações para a Alca. Aocontrário, cada um quer negociar por si", destacou.O professor Gilberto Dupas, diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, diz que o fortalecimento do Mercosulé a base da estratégia de inserção do Brasil na economia globalizada, já que o bloco dá mais peso ao País nasnegociações internacionais.Dupas admite, no entanto, que a coesão do bloco vive um momento delicado. "Não dá paraprever o futuro, mas o fato é que os resultados da Alca vão depender muito do que quiserem os Estados Unidos, poisestamos enfraquecidos", destaca o professor.

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