REUTERS/Jorge Adorno
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Mercosul fará reunião de urgência para discutir presidência do bloco

Encontro no Uruguai está marcado para a manhã desta quinta-feira, 4, e tem como objetivo resolver impasse instaurado após a Venezuela se declarar, no fim de semana, líder do bloco; Paraguai prevê Argentina na presidência

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

03 Agosto 2016 | 12h59

BUENOS AIRES - Representantes de Brasil, Paraguai e Argentina se reunirão na manhã desta quinta-feira, 4, em Montevidéu, onde fica a sede do Mercosul, para desfazer o impasse sobre a presidência do bloco. Segundo o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, que anunciou em Assunção a decisão de realizar o encontro, o Uruguai teria aceitado participar. A Venezuela, que se declarou no sábado unilateralmente ocupante do posto após os uruguaios o deixarem vago, não reconhece a legitimidade do encontro.

O chanceler paraguaio acrescentou que o grupo de três países preparou documentos para analisar o protocolo de adesão da Venezuela. Assunção alega que Caracas não reúne condições legais nas áreas aduaneira e de direitos humanos para ser membro pleno. A Venezuela teria até o dia 12 para comprovar essa adaptação e argumenta que já passou pela presidência do bloco sem ter reunido os requisitos.

Loizaga indicou que proporá a transmissão da presidência semestral à Argentina, o próximo país em ordem alfabética. "Vamos decidir como encarar os próximos seis meses e analisar o protocolo de adesão da Venezuela, para resolver essa situação da presidência. E poderíamos, seguindo a ordem alfabética, fazer com que a Argentina assuma a presidência", afirmou.

Ele explicou como se chegou à decisão de uma reunião de emergência, para a qual em princípio estão escalados os vice-chanceleres. "Os coordenadores de Paraguai, Brasil e Argentina se convocaram. E o Uruguai também estará (a diplomacia uruguaia não confirmou presença)", disse. Loizaga afirmou ter falado com a chanceler argentina, Susana Malcorra, e com o colega brasileiro José Serra.

Ele ressaltou que desta vez o encontro será na sede administrativa do Mercosul, na capital uruguaia. Na última vez que o grupo de chanceleres tentou se reunir sem um representante da Venezuela, em caráter informal, no dia 11 de julho, no ministério das Relações Exteriores em Montevidéu, a venezuelana Delcy Rodríguez apareceu de surpresa. Ela acusou os representantes de Brasil e Paraguai de se esconder no banheiro para não enfrentá-la.

Sobre a escolha de se reunir no Uruguai, país que apoiou a Venezuela em sua declaração de posse no bloco, o paraguaio disse que ali se encontra a sede administrativa do Mercosul. "Pagamos por um espaço e temos uma cota. Então isso não está sob o guarda-chuva do governo do Uruguai, que até alguns dias era o coordenador do bloco", argumentou.

Depois de afirmar que não responderia ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, sobre as acusações da véspera de que Brasil, Argentina e Paraguai formam uma Tríplice Aliança contra Caracas, Loizaga tocou no assunto. "Nos quatro países fundadores, funcionam os fundamentos do Estado, a divisão de poderes e não orientamos ninguém para calar os jornalistas. E também se respeitam as minorias. É preciso se acostumar, a democracia não é fácil." Consultada, a diplomacia venezuelana não confirmou se estará na reunião.

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