AP Photo/Ariana Cubillos, File
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Mercosul passa hoje presidência à Argentina

Chanceler paraguaio diz que ministra chavista não será admitida em reunião de membros do bloco

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2016 | 05h00

BUENOS AIRES - Os chanceleres do Mercosul reúnem-se hoje em Buenos Aires na primeira reunião após a suspensão da Venezuela do bloco. O governo do Paraguai sustenta que a ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, não participará da reunião por não ter sido convidada.

“Ela não está convidada. O governo venezuelano não está convidado”, afirmou ontem o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, em Assunção. “A decisão tomada em 2 de dezembro suspendeu a Venezuela de seus direitos. Portanto, o país não pode participar dessa reunião.” 

Em julho, Delcy apareceu de surpresa em um encontro de representantes dos sócios fundadores do bloco em Montevidéu. Loizaga rejeitou vê-la e Delcy o acusou de se esconder no banheiro. A chanceler chavista disse no fim de semana que assistiria à reunião de chanceleres na capital argentina para levar uma mensagem de “integração”.

No dia 2, os países fundadores do Mercosul, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, comunicaram à Venezuela que a impediam de exercer seus “direitos inerentes” como integrante do bloco, por ter descumprido o protocolo de adesão. 

Caracas é acusada de descumprir principalmente normas aduaneiras e de direitos humanos. Ao lado do Brasil, o Paraguai adotou a posição mais dura dentro do bloco em relação ao governo de Maduro. 

A Venezuela rejeitou o anúncio e, após assegurar que a decisão é ilegal, afirmou que seguiria no bloco, no qual sustenta ocupar a presidência rotativa. Esse comando será transferido hoje à Argentina, que por ordem alfabética assumiria após a Venezuela o comando semestral do bloco. 

O governo venezuelano assegurou que seu país incorporou 1.479 normas do Mercosul a sua legislação interna, o que equivale a 95% do conjunto de leis que os Estados devem cumprir para sua adesão ao bloco. 

O chanceler José Serra embarcaria ontem à noite para Buenos Aires, onde manifestantes contrários ao governo de Michel Temer programavam protestos. Serra tem defendido a flexibilização do bloco para que os integrantes possam negociar parcerias comerciais com terceiros. / EFE

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