Mercosul repudia ''tentativa de criminalizar imigração irregular''

O Mercosul criticou ontem, na declaração final da reunião dos presidentes do bloco, a decisão da União Européia de prender e expulsar imigrantes ilegais de seu território. O documento indica que a nova legislação européia, aprovada no mês passado, tem caráter racista e xenófobo, e repudia o que define como tentativa de "criminalização da imigração irregular". A posição do bloco foi acentuada nos discursos dos líderes reunidos em Tucumán, Argentina.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, até meados do século 19, a Europa havia instigado a escravidão na América Latina. Agora, estaria cometendo outro atentado contra os direitos humanos ao restringir a imigração. O venezuelano Hugo Chávez, por sua vez, avaliou a medida como um "ato de barbárie" e ameaçou retaliar com a expulsão dos investidores europeus da Venezuela."(O Mercosul e seus vizinhos) rechaçam qualquer tentativa de criminalização da migração irregular e a adoção de políticas migratórias restritivas, em particular dos setores mais vulneráveis - as mulheres e as crianças. Sublinham a necessidade de lutar contra o racismo, a discriminação, a xenofobia e outras formas de intolerância", afirma o texto. Ao final da reunião, Lula destacou a incoerente posição da UE de impedir o trânsito de estrangeiros em seu território e, ao mesmo tempo, manter a liberdade de circulação dos capitais. Acrescentou que, na América do Sul, os imigrantes europeus foram bem recebidos e tratados de forma igualitária e insistiu que a melhor forma de Bruxelas desestimular a imigração ilegal seria enviando ajuda para o desenvolvimento dos países mais pobres.

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