Mercosul retira Paraguai de reunião de cúpula e Lugo faz denúncia de golpe

O Paraguai está suspenso da cúpula desta semana do Mercosul, em Mendoza, anunciou ontem a chancelaria da Argentina, a anfitriã do encontro. Tomada em consenso pelos nove integrantes e observadores do bloco, a decisão é uma resposta à "ruptura da ordem democrática" em Assunção, diante do impeachment relâmpago do presidente Fernando Lugo, na sexta-feira.

ROBERTO SIMON, ENVIADO ESPECIAL / ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2012 | 03h03

O comunicado da diplomacia argentina afirma ainda que os países do Mercosul "expressam sua mais enérgica condenação" à deposição de Lugo. "Medidas adicionais" contra o governo de Federico Franco, que assumiu o poder, serão discutidas pelos chefes de Estado da região, na reunião de sexta-feira.

Os integrantes do bloco afirmam que, com a destituição de Lugo, o Paraguai violou o chamado Protocolo de Ushuaia, mecanismo que condiciona a participação de um país no Mercosul à "plena vigência das instituições democráticas". Ao longo do dia de ontem, declarações dos lados que disputam o poder em Assunção indicavam que "dois Paraguais" estavam a caminho de Mendoza. Tanto Lugo quanto Franco haviam confirmado presença na cúpula.

Falando a jornalistas diante de sua casa, o líder deposto voltou a qualificar de "golpe" a manobra que culminou na sua destituição. Questionado sobre por que reconheceu a derrota no Legislativo e deixou o governo, Lugo disse que quis "evitar um banho de sangue".

O presidente deposto afirmou que não reconhece a legitimidade do governo Franco e avisou: "Nós vamos estar esta semana no Mercosul". O Paraguai ocupa a presidência rotativa da Unasul e Lugo disse ter conversado com o presidente do Peru, Ollanta Humala - o próximo da fila a assumir o cargo -, para que a transmissão do poder fosse antecipada para esta semana.

No prédio da chancelaria paraguaia, o recém-indicado ministro das Relações Exteriores, José Felix Fernández, também dizia ontem à tarde que o governo Franco "estará em Mendoza". "Vamos solucionar nossas diferenças conversando com nossos vizinhos e amigos."

Partidários de Lugo ocupavam ontem a sede da TV estatal, que se tornou o principal foco de resistência ao novo governo.

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