Mercosul se une para combater o terrorismo

Os países da tríplice fronteira decidiram formar um grupo especializado em combate ao terrorismo internacional. Esta é a primeira medida efetiva dos parceiros do Mercosul depois do ataque feito nos Estados Unidos, no dia 11 de setembro passado.Os ministros da Justiça do Paraguai, Brasil, Uruguai e Argentina ressalvaram, porém, que é preciso cautela nas ações para manter os valores democráticos e respeito aos direitos humanos.O recado foi para as próprias autoridades paraguaias, que prenderam, sem provas concretas, 17 pessoas de origem árabe por suspeitas de envolvimento com extremistas.O Grupo de Trabalho Permanente (GTP) vai coordenar todas as ações conjuntas que se desenvolverão na região, principalmente na fronteira do Brasil, Uruguai e Argentina, onde autoridades internacionais suspeitam que existem células terroristas ou mesmo pessoas que financiam a ação de grupos extremistas pelo mundo.As polícias dos três países, com a ajuda do FBI - a polícia federal norte-americana - mantêm uma relação de supostos envolvidos nessas ações.O GTP irá incorporar todos os grupos operacionais do Mercosul, como o comando de fronteira tríplice e os binacionais sobre o Rio Uruguai, ou outros que venham a ser criados.A Polícia Federal brasileira e a Polícia Nacional do Paraguai mantêm grupos secretos antiterrorismo na região de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, que também podem fazer parte do GTP. Todos os organismos terão de repassar suas informações sobre terrorismo ao grupo de trabalho.Na reunião, da qual participaram os ministros de Justiça do Brasil, José Gregori; da Argentina, Ramón Bautista Mestre; do Uruguai, Guillermo Stirling, e do Paraguai, Julio César Fanego, ficou decidido que os países do Mercosul também solicitarão aos governos da Bolívia e Chile - que são apenas associados e não membros plenos do bloco - que participem da luta contra o terror na fronteira, indicando representantes para o GTP.Mas a reunião também serviu como um aviso para o Paraguai, talvez um dos principais interessados em acabar com as suspeitas de abrigar o terrorismo em seu território.Na nota conjunta, todos os representantes, inclusive o ministro Julio César Fanego, pediram que os direitos humanos fossem preservados além do respeito à soberania de cada Nação. "Temos convicção de que nossas nações, por suas características intrínsecas, em que se destacam a tolerância, os valores democráticos e o respeito aos direitos humanos - e onde convivem pacifica e construtivamente indivíduos de diferentes origens étnicas e crenças religiosas - têm um papel fundamental a exercer neste trágico momento para a civilização, em que se cobra ação efetiva contra o terrorismo, mas que exige, ao mesmo tempo, extrema prudência e lucidez, para que se preservem esses valores e direitos que são patrimônio de nossas sociedades", diz o comunicado conjunto.Em apenas um dia, as autoridades paraguaias prenderam 17 pessoas na fronteira com o Brasil e Argentina, todos de origem árabe. Depois, confirmou que apenas um, sem qualquer documentação, poderia ser dado como suspeito, mas não havia provas.Outros três foram liberados por serem inocentes e 13 continuaram detidos por ordem da Justiça por portarem documentos falsos, mas nada que os relacionasse a grupos extremistas do Oriente Médio.

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