Mercosul tenta consolidar unidade apesar de desavenças internas

Os chanceleres e ministros daEconomia dos países-membros do Mercosul iniciaram nasegunda-feira, em Montevidéu, uma rodada de negociações com oobjetivo de consolidar a unidade do bloco apesar das desavençasinternas e dos conflitos bilaterais existentes atualmente. Entre os compromissos da reunião, consta a assinatura de umtratado de livre comércio com Israel, o primeiro a ser firmadocom um país de fora da América Latina desde a criação do bloco,em 1991. Esse acordo promete ser um dos poucos resultadosconcretos do encontro. Prevê-se ainda que os presidentes dos países-membrosassinem uma declaração de apoio ao ingresso da Venezuela noMercosul, adesão essa que ainda depende da ratificação damedida pelos Congressos do Brasil e do Paraguai. "Esse acordo (com Israel) é importante", afirmou osubdiretor da chancelaria uruguaia, Nelson Fernández, à rádioEl Espectador. A cúpula marcará ainda a estréia no cenário internacionalda nova presidente da Argentina, Cristina Fernández deKirchner, que desembarca em Montevidéu em meio a um momentotenso das relações entre seu país e o Uruguai. Os dois travamum conflito ambiental há mais de dois anos. O encontro semestral ainda corre o risco de fracassar nasquestões internas. O Mercosul, do qual participam a Argentina,o Brasil, o Paraguai e o Uruguai, pouco avançou para concluirum código aduaneiro comum e um plano para reduzir asassimetrias entre os países-membros. "Se não tivermos um Mercosul consolidado, fica difícil depensarmos no futuro e de lutarmos pela constituição de umacomunidade sul-americana de nações", afirmou à agência denotícias Telam o presidente da Secretaria Permanente do bloco,Carlos Alvarez. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ameaçou abandonar osesforços de ingresso no bloco se a entrada da Venezuela nãofosse aprovada até o final deste ano. Mas os parlamentosbrasileiro e paraguaio adiaram a votação da matéria para 2008. Para Chávez, a adesão ao Mercosul significa um passoadiante em seus esforços para constituir um bloco regionalcapaz de opor-se aos EUA. Em Montevidéu, Cristina assumirá a presidência rotativa dobloco, substituindo no cargo o presidente do Uruguai, TabaréVásquez, e é possível que se retome o debate em torno de umafábrica de papel construída à beira de um rio na fronteira dosdois países. (Reportagem de Daniela Desantis)

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