Mergulhadores da Itália resgatam mais 38 corpos do naufrágio em Lampedusa

Número oficial de mortos sobe para 232; cerca de 500 imigrantes africanos estavam na embarcação

O Estado de S. Paulo,

07 de outubro de 2013 | 09h14

(Atualizada às 16h55) LAMPEDUSA - Mergulhadores da Itália recuperaram mais 38 corpos do naufrágio de um navio que transportava refugiados africanos perto da ilha de Lampedusa, informou a guarda costeira. Com a operação desta segunda-feira, 7, o número oficial de mortos sobe para 232.

Cerca de 500 imigrantes estavam na embarcação, que pegou fogo e afundou na quinta-feira, em uma das piores tragédias envolvendo pessoas que fogem da violência, da pobreza e da opressão na África. Autoridades afirmam que mais de 200 pessoas ainda estão desaparecidas e muitos corpos poderão nunca ser encontrados.

O comandante da guarda costeira, Filippo Marini, afirmou que todos os corpos que estavam ao redor da embarcação e na cabine foram resgatados e a operação de resgate deve durar mais dois dias. "Os corpos foram retirados do lado de fora do navio e da cabine. Agora temos que entrar no porão."

Segundo o mergulhador Riccardo Nobile, o trabalho nos destroços da embarcação é complexo. Quarenta mergulhadores da equipe de resgate trabalham em pequenos grupos porque a uma profundidade de 47 metros, cada equipe é capaz de se manter apenas cerca de 10 minutos nos destroços.

"Fiquei mais de uma hora na operação. Foi difícil olhar para aqueles rostos, ver seu sofrimento, suas expressões de desespero", disse Nobile. No sábado, alguns dos 155 sobreviventes somalis e eritreus prestaram homenagem aos homens, mulheres e crianças cujos corpos estão em um hangar no aeroporto da ilha.

Imigração. O desastre voltou a chamar a atenção para os problemas de décadas em torno da imigração ilegal do norte da África. O destino dos sobreviventes destaca as deficiências dos centros que abrigam imigrantes e das leis que visam afastá-los do país.

Mais de 1.000 pessoas abrigadas no centro de migrantes de Lampedusa estão em alojamentos superlotados e sem higiene. Centenas, incluindo famílias com crianças pequenas, dormem ao relento em colchões de espuma, pois há apenas espaço para 250 pessoas. Muitos se abrigaram em ônibus durante uma chuva forte no domingo.

O desastre de quinta-feira renovou a pressão da Itália para obter mais ajuda por parte da União Europeia e muitos legisladores locais estão pedindo mudanças imediatas nas leis de imigração do país.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, braço executivo da União Europeia (UE), vai visitar a ilha de Lampedusa, nesta quarta-feira para prestar homenagem às vítimas de um naufrágio que aconteceu na semana passada./ REUTERS e AP

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