Pradita UTAMA/AFP
Pradita UTAMA/AFP

Mergulhadores procuram segunda caixa-preta de avião que caiu na Indonésia

Primeira caixa-preta está parcialmente danificada e impede que os dados sejam analisados pelos investigadores; piloto da aeronave emitiu alerta de rádio por problemas técnicos pouco depois de decolar da Ilha de Bali

O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2018 | 12h38

JACARTA - Mergulhadores indonésios procuram nesta sexta-feira, 2, a segunda caixa-preta do avião que caiu no mar na segunda-feira, matando todas as 189 pessoas a bordo. Ao mesmo tempo, investigadores tentam recuperar os dados da primeira caixa-preta já encontrada, mas parcialmente danificada.

“Nós não extraímos os dados porque há partes quebradas na caixa-preta”, disse o funcionário do comitê de segurança em transportes, Haryo Satmiko. Ele afirmou a repórteres da agência Reuters que investigadores aguardam instruções do Conselho Nacional de Segurança em Transportes dos Estados Unidos ou a Boeing.

Os esforços estão concentrados na tentativa de recuperar a segunda caixa-preta, disse o chefe do Comitê de Segurança em Transportes da Indonésia, Soerjanto Tjahjono. “Há dois dias o time ouve o som de ‘ping’ de outra caixa-preta.”

A região do mar onde a aeronave caiu tem 30 metros de profundidade, mas a forte corrente marítima e as tubulações de energia próximas dificultam a procura pelo avião da Lion Air, uma companhia de baixo-custo da Indonésia.

Investigadores dizem que os danos sofridos pelo primeiro dispositivo de dados recuperado refletem a severidade do impacto. A obtenção dos dados dos gravadores de voo pode demorar um pouco menos de duas horas, mas a análise deve levar semanas. Resultados preliminares da investigação serão divulgados depois de 30 dias, disse um funcionário com conhecimento no assunto.

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, visitou o centro de operações no Porto de Jacarta, agradeceu aos funcionários e ao time militar envolvidos no resgate e apelou para que aumentem as buscas. “Peço que vocês usem todo o seu poder, toda a tecnologia disponível, para trabalhar rápido e encontrar qualquer coisa”, afirmou. Ele quer que investigadores determinem a causa do acidente o mais rápido possível para que “possamos determinar o próximo passo.”

Imagens de emissoras de TV locais mostraram uma roda do avião sendo retirada do mar nesta sexta-feira, junto a um mergulhador segurando uma peça do que seria a fuselagem com o logotipo da Lion Air. A Indonésia é um dos maiores mercados aéreos em ascensão do mundo, mas o seu histórico de segurança é irregular. O Comitê de Segurança em Transportes do país investigou 137 incidentes graves com aviões de 2012 a 2017.

Alerta

O piloto do voo da Lion Air emitiu um alerta de rádio por problemas técnicos no domingo pouco depois de o avião decolar de Denpasar, na Ilha de Bali, Indonésia. O problema foi superado e ele seguiu para Jacarta. Horas depois, o mesmo avião caiu. Herson, chefe do aeroporto de Bali-Nusa Tenggaram, disse que após o alerta o piloto atualizou a torre de controle para dizer que o avião estava voando normalmente e não retornaria ao aeroporto, como solicitado. “O próprio capitão estava confiante o suficiente para voar de Denpasar a Jacarta."

O piloto de outro avião que se aproximava de Bali logo após a aeronave da Lion Air decolar disse que ordenaram que ele desse voltas sobre o aeroporto e ouvisse as conversas por rádio entre o piloto da Lion Air e os controladores de tráfego. “Por causa da chamada pan-pan, nós esperamos dando voltas sobre o aeroporto”, disse ele, que não quis se identificar porque não está autorizado a falar com a imprensa. Pilotos usam esse recurso para sinalizar situações de emergência, sendo um passo anterior ao “mayday”, que indica emergência severa.

“O avião da Lion pediu para retornar a Bali cinco minutos depois da decolagem, mas o piloto disse que o problema havia sido resolvido e ele seguiria para Jacarta”, ressaltou. O Boeing 737 MAX pousou na capital indonésia na noite de domingo, decolou na manhã do dia seguinte em Sumatra e caiu no mar 13 minutos depois. Pouco antes da queda, o piloto pediu autorização para retornar à base. Um porta-voz da Lion Air se recusou a comentar o assunto quando questionado sobre o alerta no voo anterior, citando que a queda ainda está em investigação.

O CEO da Air Lines, Edward Sirait, disse no início desta semana que um problema técnico ocorreu no voo Denpasar-Jacarta, mas foi resolvido “de acordo com os procedimentos.” Apesar das especulações sobre as condições de voo da aeronave, o Ministro dos Transportes suspendeu o diretor técnico da Lion Air e três funcionários na quarta-feira para facilitar as investigações. Os funcionários suspensos “emitiram as recomendações para o voo (final)”, disse o ministro em nota, que não cita quantos profissionais foram suspensos. /REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.