Merkel afirma que não está certa de sucesso em negociações de paz com Moscou

A chanceler Angela Merkel afirmou neste sábado que permanece incerto se haverá sucesso na última rodada de negociações com Moscou para um acordo de paz na Ucrânia. Em seu primeiro discurso após viagens diplomáticas a Kiev e à Rússia com o presidente francês François Hollande, a líder alemã reiterou que ainda vale a tentativa de resolver a questão por meios pacíficos.

Estadão Conteúdo

07 de fevereiro de 2015 | 08h48

"Após as conversas ontem em Moscou, eu digo que é incerto se elas serão um sucesso. Mas é a minha perspectiva e a do presidente francês de que vale a pena tentar", afirmou Merkel em discurso na Conferência de Segurança de Munique. "Devemos isso às pessoas afetadas na Ucrânia".

Durante a semana, Merkel e Hollande tentaram costurar um novo acordo de paz e viajaram inesperadamente à Kiev, para encontro com o presidente Petro Poroshenko. Após o diálogo com o líder ucraniano, os chefes de Estado foram à Rússia para se reunir com o presidente Vladimir Putin na noite de ontem.

Em seu discurso hoje, Merkel afirmou que as ações da Rússia no leste da Ucrânia representam uma "forte contradição" com suas obrigações internacionais. Entretanto, a chanceler reiterou que a diplomacia com a Rússia para as negociações do projeto nuclear do Irã e a retirada de armas químicas da Síria mostra que a cooperação com Moscou em desafios internacionais importantes é possível.

O porta-voz de Merkel descreveu o diálogo com Putin como "construtivo e substancial" e disse que os países envolvidos estão trabalhando em um novo "documento conjunto" para a implementação do tratado de paz assinado em Minsk, em setembro do ano passado. Merkel afirmou que os resultados do acordo foram "muito decepcionantes", mas que isso não significa que a comunidade internacional deve desistir do caminho diplomático.

A chanceler alemã reafirmou mais uma vez sua oposição à ideia de que os países ocidentais devem conceder armamentos à Ucrânia e disse que a proliferação de tais equipamentos no leste do país já piora a situação. "Eu posso entender a discussão", afirmou. "Mas eu acredito que o progresso na Ucrânia não pode ser alcançado com mais armas. Eu estou muito, muito descrente quanto a isso".

Os Estados Unidos, por outro lado, têm adicionado pressão sobre Moscou ao considerarem o envio de armas às forças ucranianas - decisão que líderes europeus já sinalizaram que irão opor publicamente. Angela Merkel viaja neste domingo para os Estados Unidos e deve se encontrar com o presidente Barack Obama na Casa Branca na segunda-feira. Fonte: Dow Jones Newswires.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.