Frederik Von Erichsen/EFE
Frederik Von Erichsen/EFE

Merkel alerta que Reino Unido não poderá ter acesso ao mercado único da UE

Chanceler alemã afirmou que benefício só cabe àquele ‘que aceita as quatro liberdades fundamentais europeias: de pessoas, bens, serviços e capital’

O Estado de S. Paulo

28 Junho 2016 | 09h13

BERLIM - A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou nesta terça-feira, 28, que o Reino Unido não poderá manter o acesso ao mercado único da União Europeia (UE) se negar a livre circulação de cidadãos em seu território.

Merkel fez esta afirmação em um comunicado do governo ao Parlamento alemão, em que fixou sua posição antes da reunião de cúpula de líderes que começa nesta terça-feira em Bruxelas, centrada no impacto do Brexit.

"Acesso ao livre mercado comum alcança aquele que aceita as quatro liberdades fundamentais europeias: a de pessoas, bens, serviços e capital", afirmou a chanceler.

Merkel ressaltou que o Reino Unido não poderá manter os atuais "privilégios" como membro da UE se não assumir, por sua vez, as obrigações correspondentes.

"Deve haver e haverá uma diferença palpável entre ser e não ser parte da família europeia. Quem deseja sair desta família não pode esperar que as obrigações desapareçam e que se mantenham os privilégios", afirmou.

A chanceler deu como exemplo a Noruega, um país que não pertence à UE mas que, para ter direito de acesso ao mercado único, cumpre uma série de requisitos e obrigações.

Sobre os prazos para o Brexit, Merkel insistiu que, como o estipulado, está nas mãos do Reino Unido decidir quando informar aos membros sua vontade de deixar a UE, para iniciar o processo de saída.

No entanto, aconselhou seus "amigos britânicos que não se deixem enganar" porque antes dessa comunicação não haverá negociações ou conversas, "nem formais, nem informais".

Os 27 países notaram que o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, quer deixar o processo nas mãos de seu sucessor ou sucessora, apontou a chanceler, mas Londres deve saber também que não haverá "conversas prévias" antes que comunique ao Conselho sua decisão.

A chanceler afirmou ainda que a Alemanha buscará fazer com que a futura relação com o Reino Unido seja "estreita e amistosa", porque seu país se beneficiará dessa situação.

No entanto, assegurou que não é contraditório afirmar que a Alemanha e a UE se guiarão por seus "próprios interesses" na hora de negociar com o Reino Unido, que passará a ser um "terceiro país".

Assim que o Reino Unido tiver acionado o Artigo 50, um período de negociação de dois anos irá começar, e só poderá ser prorrogado por uma decisão unânime, explicou Merkel.

"Enquanto as negociações durarem, o Reino Unido continua sendo um membro da UE. Todos os direitos e deveres que vêm com a filiação devem ser plenamente respeitados e mantidos até a saída de fato, e isso se aplica igualmente aos dois lados". /EFE e Reuters

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